Garotas Modernas : abuso sexual na infância e adolescência Garotas Modernas : abuso sexual na infância e adolescência
  • Categoria: abuso sexual na infância e adolescência
  • Coach não é psicoterapia: o equívoco da novela O Outro Lado do Paraíso

    Imagem: Globo

    O novela O Outro Lado do Paraíso está prestando um desserviço à quem trabalha com saúde mental e luta contra o abuso sexual na infância e adolescência ao mostrar a história da personagem Laura sendo “tratada” pela advogada/coach Adriana.
    Quando uma pessoa bloqueia um evento traumático na memória isto acontece pois ela ainda não está pronta para lidar com o trauma.
    Não se deve forçar a memória vir à tona por meio de hipnose ou outra técnica e sim preparar a pessoa para lidar com o passado através da  PSICOTERAPIA (com psicólogo ou psiquiatra).
    Hipnose é uma técnica excelente e bem fundamentada, mas precisa ser usada com muito cuidado, por psicólogos ou médicos psiquiatras, dentro de um processo de psicoterapia, não apenas para descobrir uma lembrança bloqueada.
    Se a hipnose for usada para um trauma vir à tona do consciente a simples lembrança abrupta pode trazer graves consequências à psique. A pessoa pode, por exemplo,  ter uma crise de pânico ao se lembrar do evento traumático. 
    Por isso é preciso que o psicólogo ou psiquiatra só use esta técnica quando o paciente estiver preparado para lidar com a dor. 
    Além disto o profissional precisa estar totalmente preparado para lidar com uma possível crise do paciente. Ele tem que saber como agir e o que fazer se aquela pessoa começar a chorar, se desesperar e até se entrar num surto.
    Profissionais de Coaching não tem capacitação para lidar com questões profundas da psiquê humana. Para trabalhar assuntos mais complexos procure um psicólogo ou psiquiatra. 
    Na novela a personagem bloqueou a lembrança dos abusos sexuais que sofreu na infância, que aparecem como aversão ao sexo e um medo irracional de tartarugas (ela tinha um tanque com os bichinhos na infância).
    É um absurdo colocarem uma advogada com formação em coaching para lidar com isto através de hipnose, para que a menina lembre do trauma. Uma abordagem assim pode desencadear até um surto psicótico em uma pessoa.
    Coaching não substitui psicoterapia. Abuso sexual na infância em geral causa severos traumas e nesse caso é imprescindível  o acompanhamento de um psicólogo ou médico psiquiatra.

    Mira Sorvino pede desculpas à Dylan Farrow por ter trabalhado com Woody Allen



    Em 2014 por alguma razão não li a carta publicada pela filha de Woody Allen o acusando de pedofilia. Sabia da acusação mas não sabia que ela, quando adulta, havia se manifestado publicamente de forma tão contundente. 
    Nunca gostei dele pelo fato de ter se casado com a enteada. Acho podre, vil, uma clara alusão à pedofilia. Não vejo os filmes dele e não vou assistir o último lançado por ele. Me recuso a dar dinheiro à um criminoso, por mais genial que possa ser como artista. 
    Agora diversas celebridades começaram a se manifestar em favor à Dylan, inclusive se dizendo arrependidas de terem trabalhado com ele. 
    Espero que seja o início do fim do sucesso deste homem. quem rouba a inocência de uma criança não tem direito à felicidade. 

    Na carta aberta, publicada em 1 de fevereiro de 2014 em um blog do jornal New York Times, Dylan Farrow (na época com 28 anos) acusou Woody Allen de agressão sexual, crime pelo qual o diretor jamais foi condenado. 

    Leia a carta na íntegra (cuidado com possível gatilho)

    "Qual o seu filme favorito de Woody Allen? 
    Antes de responder, é bom que você saiba: quando eu tinha sete anos, Woody Allen me levava pela mão para o sótão da minha casa. 
    Ele me mandava deitar de bruços e brincar com o trenzinho elétrico do meu irmão. E me atacava sexualmente. 
    Ele falava comigo enquanto o fazia, sussurrando que eu era uma menina boa e que aquele era o nosso segredo, me prometendo que iríamos a Paris para que eu estrelasse um dos seus filmes. Lembro-me de olhar para o trenzinho, prestando atenção em como ele se movia em círculos pelo sótão. Até hoje eu tenho dificuldades para olhar para trens de brinquedo. 
    Até onde posso me lembrar, meu pai fazia coisas das quais eu não gostava. Não gostava como de como ele frequentemente me afastava de minha mãe, parentes e amigos para ficar sozinha com ele. Não gostava quando ele colocava o dedão da mão na minha boca. Não gostava quando eu tinha que entrar debaixo dos lençóis enquanto ele estava apenas de cuecas. Não gostava quando ele colocava sua cabeça no meu colo nu, inspirando e expirando. 
    Eu me escondia embaixo das camas e me trancava no banheiro para evitar os encontros mas ele sempre me achava. Estas coisas aconteciam frequentemente, rotineiramente e tão habilmente escondidas de uma mãe que teria me protegido se soubesse o que eu achava ser normal. 
    Eu achava que essa era a maneira que pais mostravam carinho às suas filhas. Mas o que acontecia comigo no sótão parecia diferente. Eu não conseguia mais guardar o segredo. Quando perguntei à minha mãe se o pai dela fazia com ela o que Woody Allen fazia comigo, eu honestamente não sabia a resposta. 
    Também não sabia da tempestade que a perguntaria provocaria. Não imaginava que meu pai usaria sua relação sexual com minha irmã para cobrir o abuso que ele praticou contra mim. Não sabia que ele acusaria minha mãe de plantar o abuso na minha mente e a chamar de mentirosa por me defender. 
    Não sabia que eu teria que recontar a história muita vezes, médico após médico, na tentativa de que eu admitisse que mentia em prol de uma briga judicial a qual eu não entendia. Em certo momento, minha mãe sentou-se comigo e me disse que eu não teria problema se eu estivesse mentindo - que eu poderia retirar tudo o que eu havia dito. Eu não podia. Era tudo verdade. 
    Acusações de assédio sexual contra os poderosos enfraquecem-se muito facilmente. Especialistas estavam dispostos a atacar minha credibilidade. Médicos queriam disfarçar a criança a abusada. Depois que os juízes negaram ao meu pai o direito de visitar os filhos, minha mãe desistiu de continuar o processo criminal, apesar das conclusões do Estado de Connecticut - por conta do que foi definido pelo promotor como fragilidade da "vítima infantil". 
    Woody Allen nunca foi condenado por nenhum crime. O fato de ele ter escapado das acusações me assombrou enquanto amadurecia. Fui vítima de sentimentos de culpa de que eu havia permitido a proximidade dele com outras crianças. 
    Eu fiquei aterrorizada de ser tocada por outros homens. Desenvolvi um transtorno alimentar. Comecei a me cortar. 
    E o tormento foi agravado por Hollywood. Muitos (dos meus heróis) fizeram vista grossa. Muitos acharam mais fácil aceitar a ambiguidade dos fatos argumentando que "ninguém pode dizer o que aconteceu" e fingir que nada esteve errado. 
    Atores o idolatram em festas de premiações. Críticos o colocam em revistas. Cada vez que vejo o rosto do meu algoz - num poster, numa camiseta, na TV - eu só conseguia esconder meu pânico até encontrar um lugar para ficar sozinha e desmoronar. 
    Na semana passada, Woody Allen foi indicado para o mais recente Oscar. Desta vez, me recuso a desmoronar. Por muito tempo, a aceitação de Woody Allen me silenciou. Era uma reprovação pessoal, como se os prêmios fossem uma maneira de me mandar calar a boca e ir embora. 
    Mas os sobreviventes de abuso sexual que chegaram até mim - para me apoiar e dividir os medos de seguir em frente, de serem chamados de mentirosos, da sensação de ouvir de outros que as lembranças não são lembranças - me deram motivação para não ficar calada, para que outros saibam que não devem ficar calados também. 
    Hoje me considero uma pessoa de sorte. Sou casada, feliz, tenho o apoio dos meus irmãos e irmãs. Tenho uma mãe que encontrou dentro de si mesma uma fonte de força que nos salvou do caos que um predador trouxe ao nosso lar. 
    Mas outros ainda estão assustados, vulneráveis e ainda lutando com coragem de contar a verdade. A mensagem que Hollywood manda é importante para eles. 
    E se fosse com a sua filha, Cate Blanchett? Louis CK? Alec Baldwin? 
    E se fosse com você, Emma Stone? Ou você, Scarlett Johansson? 
    Você me conheceu quando criança, Diane Keaton. Você esqueceu de mim? 
    Woody Allen é um testemunho vivo da maneira como a nossa sociedade fracassa em defender sobreviventes de assédio e abuso sexuais. 
    Então, imagine sua filha de sete anos sendo levada até um sótão por Woody Allen. 
    Imagine se ela passa uma vida inteira sendo atingida por náusea diante da menção dele. Imagine um mundo que celebra o seu torturador? 
    Imaginou? 
    Agora, diga: qual o seu filme favorito de Woody Allen?

    Mira Sorvino, contou ao The New Yorker em outubro de 2017 que Harvey Weinstein a assediou em 1995, no auge da sua carreira como atriz e que sentiu que foi afastada da indústria do cinema depois de ter dito ‘não’ a Weinstein. 
    Em 1995 ela trabalhou com ambos em Poderosa Afrodite (com direção de Woody Allen) e ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por sua atuação.
    Ela publicou a seguinte carta aberta à Dylan na semana passada: 

    "Cara Dylan,

     Alô. 
    Peço desculpas por esta ser a primeira vez que eu me dirijo a você por escrito. 
    Será o primeiro de vários pedidos de desculpas que farei hoje. 
    Escrevo para manifestar que acredito em você e lhe dou meu apoio. Confesso que na época em que trabalhei para Woody Allen eu era uma atriz jovem e ingênua. 
    Aceitei sem questionar a versão da mídia segundo a qual sua acusação de que seu pai a molestou teria sido fruto de uma briga intransigente entre Mia Farrow e ele em torno da guarda dos filhos deles. E não me aprofundei mais na situação, coisa que lamento muitíssimo. Por isso também devo um pedido de desculpas a Mia. 
     O que vou dizer a seguir não é uma tentativa de me justificar, apenas uma descrição de minha interação com Woody na época e desde então. 
    Adolescente, eu guardava com carinho meu exemplar do livro de Woody "Without Feathers". 
    Fiz o papel de Diane Keaton numa produção de "Sonhos de Um Sedutor" feita no meu colégio, e, como tantas pessoas de minha geração, cresci admirando os filmes de Woody. Quando eu era atriz jovem ganhei um papel dos sonhos, o de Linda Ash em "Poderosa Afrodite", e a liberdade artística que ele me deu para criar a personagem foi emocionante. 
    Tínhamos uma relação amigável, mas não íntima, e ele nunca passou dos limites comigo de nenhuma maneira; eu, pessoalmente, nunca vivenciei o que agora vem sendo descrito como seu comportamento inapropriado com meninas. 
    Mas isso não justifica que eu ignore o que aconteceu com você, apenas porque eu queria tanto que não tivesse acontecido. 
     É difícil cortar laços e denunciar nossos heróis, nossos benfeitores, que admiramos com carinho e a quem sentimos uma dívida de gratidão pela existência de toda nossa carreira. Decidir que, embora eles possam ser fantasticamente talentosos e possam nos ter ajudado tremendamente, acreditamos que eles cometeram atos indesculpáveis. 
    Mas é nesse ponto que estamos hoje. Em dezembro telefonei a seu irmão Ronan, compartilhando com ele o que aconteceu desde que eu fui a público para falar de Harvey Weinstein. 
    Contei a ele que foi uma experiência às vezes empoderadora, às vezes amarga e de partir o coração, à medida que mais e mais detalhes foram saindo sobre o mal oculto que esse homem me fez. 
    Contei a Ronan que eu me senti por algum motivo mais vulnerável (se bem que grata, com certeza) quando milhões de pessoas me demonstraram apoio online, como se minha vida tivesse sido reduzida àquela vitimização. 
    Falei a Ronan que eu queria saber mais sobre você e sua situação. Ele me indicou informações publicamente disponíveis sobre o caso, informações que eu lamento que nunca tinha visto e que fizeram começar a sentir que as evidências comprovavam fortemente seu relato. Que você tinha dito a verdade desde o começo. 
    Sinto muitíssimo, Dylan! 
    Nem consigo começar a imaginar como você se sentiu esses anos todos, vendo alguém que você denunciou por tê-la ferido quando você era criança, quando era uma garotinha vulnerável sob os cuidados dele, sendo elogiado reiteradamente, inclusive por mim e inúmeros outros em Hollywood que o elogiaram e ignoraram você. 
    Como mulher e como mãe isso me deixou com o coração partido por você. 
    Sinto tanto, tanto! 
     Estamos numa época e num momento em que tudo precisa ser revisto. 
    Não podemos deixar que esse tipo de violência continue. 
    Se para isso for preciso derrubar todos os velhos deuses, que seja. A dissonância cognitiva, a negação e a covardia que nos poupam de encarar verdades dolorosas e nos impedem de agir em defesa de vítimas inocentes, ao mesmo tempo deixando que indivíduos "amados" continuem a praticar comportamentos hediondos, precisam ser rejeitados do fundo de nossos corações. 
    Mesmo que você ame alguém, se descobrir que a pessoa cometeu esses atos desprezíveis a pessoa precisa ser exposta e condenada, e essa exposição precisa ter consequências. 
    Nunca mais vou trabalhar com Woody Allen. 
    Eu lhe mando amor, inclusão e admiração por sua coragem durante este tempo todo. Acredito em você! 
    Estou grata a você e admiro sua coragem e integridade, você, uma mulher que foi obrigada a ficar virtualmente sozinha todos estes anos proclamando sua verdade dolorosa. 
    Você é uma heroína de verdade, e eu estou com você. 

    Com gratidão e solidariedade, 

    Mira Sorvino*

     *A carta de Mira Sorvino foi originalmente publicada no HuffPost US e traduzida do inglês pelo site brasileiro.

    Até quando vamos duvidar das vítimas?

    Performance Artística do MAM: nudez, crianças e pedofilia

    Imagem: Divulgação MAM

    Não poderia deixar de expressar minha opinião profissional sobre o caso da Performance Artística que aconteceu no MAM em SP, envolvendo um homem nu deitado no chão e uma menina de aparentemente 4 anos sendo estimulada pela mãe a tocar em partes do corpo do homem (mão e tornozelo, ao que parece no vídeo, que não vou compartilhar por ser um possível gatilho para quem sofreu abuso sexual na infância).
    Isso é sexualização de uma criança! É uma violência da pior espécie!
    Não se trata de moralismo, gente. Sou psicóloga há 23 anos e não se expõe uma criança a nudez desnecessária de um adulto.
    Criança não deve ser incluída num "experimento" de teor sexual de espécie alguma, mesmo que seja considerado arte. Não tem maturidade necessária para lidar com isto.
    Há uma corrente de pedófilos no mundo que querem "normatizar o sexo com crianças ou púberes". Isto é uma aberração! É crime.
    Uma coisa é uma criança ver os pais nus em casa em situações onde se está normalmente nu (no banho, trocando de roupa).
    Outra coisa muito diferente é estimular uma criança a tocar o corpo de um homem nu enquanto vários adultos observam a cena.
    O que me incomodou na cena não foi o homem nu. Nudez é normal e nada tem de errado.
    Se uma criança vê alguém da família saído pelado do banho ou mesmo pessoas nuas numa praia de nudismo seria mais natural. E o que mais me incomodou foi a mãe estimular a criança a tocar no homem nu.
    O problema não existiria se ela estivesse lá no Museu com a mãe e visse o homem pelado e a mãe dissesse: "é só um homem pelado, não é pra sua idade, vamos pra outra sala."
    Não acho que a instalação de arte em si seja o problema ou que tenha sido um ato de pedofilia em si.
    O problema é que se você ensina a uma criança de 4/5 anos ou até mais velha que tocar o corpo nu de uma pessoa (independente se homem ou mulher) é normal, legal e divertido você deixa sim a criança mais suscetível a se tornar uma vítima, pois para ela o pensamento pode ser: "minha mãe mandou mexer no homem pelado e foi divertido, as pessoas ao redor me deram parabéns, então se meu tio (ou professor, padre, primo) me pedir pra tocar no pinto dele não tem problema, é normal".
    Para deixar a criança menos vulnerável aos pedófilos o correto, do ponto de vista da Psicologia é ensinar pra criança que só pode ficar junto de um adulto pelado se for pai ou mãe em situação de banho/ troca de roupa ou em situações atípicas e muito específicas (comunidade indígena, um hospital onde algum parente tenha ficado nu por alguma razão) e que criança não toca em adulto nu, além de que adulto só toca nas partes íntimas da criança se for pra dar banho/limpar/examinar (se médico) com o papai ou mamãe junto (ou avó, tia, responsável).
    Eu amo arte, sou a favor da liberdade de expressão e estou bem longe de ser puritana. Mas cheguei a ficar com o estômago embrulhado ao ver o vídeo e ler os comentários em redes sócias de dezenas de pessoas que não viram nada de mal nisto.
    Muitas pessoas acharam tolice a polêmica que se formou sobre o caso dizendo que arte é arte, cada mãe faz o que acha certo e que é só um homem pelado.
    Pra quem é da área da psicologia e já conviveu com vítimas de abuso sabe que a erotização precoce das crianças e a normalização do "tocar um homem nu desconhecido" (e não importa em qual parte do corpo ela tenha tocado), além de desnecessário, é perigoso pois pode criar na criança a ideia que é Ok tocar no corpo nu de adultos.
    Precisamos proteger nossas crianças, mesmo que o custo seja sermos hiper vigilantes e até um pouco exagerados à respeito.
    Tive a oportunidade de trabalhar num Hospital Infantil, onde é comum aparecerem casos de crianças abusadas e numa Casa Lar (onde crianças e adolescentes tirados da família ficam até a retirada da guarda da família) onde eram todas meninas de 3 à 15 anos, todas vítimas de abuso sexual. Fui voluntária lá neste abrigo, adorava aquelas crianças, mas só consegui ficar um ano com elas pois saia de lá arrasada com as histórias e o quanto aquelas meninas estavam machucadas na alma.
    Há um movimento em todo mundo de pedófilos querendo normalizar a sexualização e relacionamento afetivo entre adultos e crianças e/ou púberes e adolescentes bem novinhos: a tática deles é convencer a sociedade que é normal o "amor" (e sexo) entre um adulto e meninos e meninas com 11/12 anos ou menos - eles usam a técnica do "sapo fervido", onde se começa com a  arte mostrando o lado belo deste tipo de relação (exemplo livro Lolita, um clássico, já li, mas é de fato uma história que envolve pedofilia), depois partem para disseminar a ideia que "amor" entre homens e as "novinhas" é normal (vide músicas e a cultura popular exaltando o sexo com adolescentes) para por fim mudar leis e fazer com que o "amor entre adultos e crianças ou adolescentes menores de 16" seja visto como natural, como infelizmente é aceito em alguns países.
    Isto não é natural. Repito: é uma violência contra crianças e adolescentes.
    Desculpem se estou insistente ou pareço agressiva, mas neste assunto acredito que não cabe a dúvida. Precisamos proteger nossas crianças! Isto é mais importante que tudo.
    E me desculpem a franqueza, mas nem toda mãe é legal e sabe o que é o melhor para seus filhos. Infelizmente.
    Ontem de madrugada fiquei muito chocada por causa da notícia que li no Facebook. Mais por causa das pessoas não vendo nada demais naquela menina tocando o homem (pouco importa se foi só no tornozelo e mão dele) do que pelo vídeo em si.
    As pessoas se revoltam vendo um homem sendo machista, um cachorro ser maltratado (eu também me revolto), mas relativizam quase tudo que os pais (especialmente as mães) permitem e estimulem que seus filhos façam. Mães não são infalíveis.
    Tem mães (muitas mães, acredite, trabalho como psicóloga clínica e já atendi mais de duas dezenas de casos de abuso sexual) que "deixam" o namorado ou marido tocar nas suas filhinhas pequenas pra não desagradar seus homens (e isso acontece em todas as classes sociais).
    Isso acontece todos os dias e a gente não fica sabendo nem de 1% dos casos pois a maior parte dos pedófilos não causa lesão física (são bem espertos pra não serem pegos) e a maior parte das crianças só se dá conta que algo de errado aconteceu muitas vezes tempos depois, muitas ficam confusas, se sentem culpadas e só vão contar pra alguém depois de maiores ou mesmo adultas. Os casos existentes são subnotificados. Os pedófilos não são punidos. As famílias preferem jogar a sujeira pra baixo do tapete, fazer de conta que nada aconteceu. As vítimas tem vergonha de falar sobre o assunto e geralmente escondem dos amigos o que lhes aconteceu.
    Sei que é um tema MUITO pesado, mas precisamos falar sobre isto para que não aconteça com nossas crianças.
    O pior é que quase todo mundo desvia o olhar do assunto, não quer saber, acha que a criança vai esquecer, que se não houve penetração (que acontece raramente, pois estes monstros não querem deixar marcas visíveis) não há dano severo à criança.
    Fico muito triste ao ver tantas mulheres esclarecidas preferindo ser "modernas e desconstruídas" do que se preocuparem com a menininha do vídeo, que foi exposta sim a situação vexatória, prevista em lei como crime contra a infância e adolescência.
    Pra mim esta mãe (e pai) deveriam sim ser chamados no conselho tutelar pra ao menos serem orientados do perigo de naturalizar a nudez e o toque de estranhos adultos.
    Encerro com a frase atribuída ao pensador Edmund Burke:
    "Para que o mal triunfe basta que os bons não façam nada".

    Update sobre arte, nus e crianças:

    Não acho que exista teor sexual na proposta do artista. Minha colocação e preocupação enquanto psicóloga é sobre a presença de uma criança tão pequena de forma ativa na exposição e, principalmente, a mãe dela ter a incentivado a tocar no artista.
    Quando uma mãe diz à uma garotinha de 4/5 anos que é ok tocar num homem nu isto pode deixar a criança mais vulnerável ao toque inadequado de um adulto. Nesta idade, independentemente de como seja a criação, uma criança não está ainda madura para discernir o que é arte e o que não é, o que é contexto sexual e o que não é.
    Para sua proteção precisa estar claro que o toque entre crianças e adultos nus (excetuando o toque entre pais e filhos em situações como o banho, cuidados médicos e momentos correlatos) não é desejável.
    Realmente sou apreciadora de artes e não acho que devemos "demonizar"no nu para crianças, mas sei que o abuso sexual infantil é uma ameaça constante à infância e precisamos ser "hiper vigilantes" em relação ao tema.
    Me considero sim uma pessoa culta, que aprecia a arte e entende sua importância, no entanto infelizmente vivemos numa sociedade onde as crianças estão muito vulneráveis e precisamos protegê-las, mesmo se isto significar não expô-las ao contato com o nu adulto em exposições de arte.
    Crianças são facilmente seduzidas por este tipo de criminoso e, infelizmente, quanto mais naturalmente enxergam o toque entre crianças e adultos nus, mais vulneráveis tendem a estar. Entre a arte e a proteção de uma criança sempre ficarei com a segunda, até mesmo porque em momento algum disse que "aquilo não é arte"ou que a "exposição deveria ser proibida" - minha posição foi questionar o toque da criança no homem nu, mesmo que com a orientação da mãe, por causa da sua idade e da vulnerabilidade que isto pode lhe causar, uma vez que como falei antes, não importa qual sua educação, nesta faixa etária crianças não tem sequer maturidade neurológica (do ponto de vista biológico mesmo) para compreender as diferenças do que é nu artístico "ao vivo" do que é um homem nu querendo abusar sexualmente. 

    Se a menina apenas assistisse à performance ou estivesse tocando em um quadro ou estátua não haveria problema.

    O fascínio de Mr. Grey e seus Cinqüenta Tons de Cinza

    a imagem acima é apenas uma brincadeira, só obedeça seu coração
    Imagem: Keep Calm Matic


    A Mari Siebert escreveu um texto ótimo sobre o primeiro livro da trilogia Cinqüenta Tons de Cinza aqui no GM, mas como já estou no segundo, onde acontecem mudanças no relacionamento dos protagonistas e tenho algumas divergências em relação ao que a Mari escreveu, embora concorde com vários pontos, quero deixar aqui minha visão sobre o livro que de tão popular, é capa da revista Veja desta semana e é o que mais rapidamente vendeu uma quantidade surreal de cópias.

    Não queria escrever sobre o livro antes de ler todos os três para formar uma opinião mais sólida acerca deste fenômeno editorial que ele se tornou, mas como minha percepção é diferente da da Mari, resolvi deixar aqui meu ponto de vista.
    Da história alguns pontos me fazem ficar de cabelo em pé (pra quem não leu, cuidado, tem alguns spoilers).

     Me assusta a protagonista, Anastacia, ter perdido a virgindade (depois dos 20, mais tarde que muita gente, o que não é problema algum, cada pessoa tem seu tempo), mas com um homem muito mais experiente, Mr. Grey (cinza na grafia britânica) ou Mr. Gray, (na americana), e que prefere claramente o sexo não convencional, com Sadomasoquismo e Bondage (prática de imobilizar ou amarrar alguém para fazer sexo), com quem descobriu o sexo numa "versão super avançada" em termos de sexualidade fora do comum e que só foi experimentar depois o que os entendidos chamam de "sexo baunilha" (o mais convencional, o que a maior parte de nós chama de fazer amor ou transar). 
    Outro ponto que me causa desconforto é ele ter sido iniciado sexualmente por uma amiga de sua mãe (ele com 15 anos, ela já uma senhora), que era adepta do sadomasoquismo (e não, não estou falando em brincar de amarrar seu namorado na cama com o cinto do seu roupão e sim sadomasoquismo hardcore).
    No entanto são dois fatos relativamente comuns: há muitas mulheres que perdem a virgindade com homens que fazem só um determinado "tipo" de sexo sempre (que pode dar a falsa impressão que sexo é sempre daquele jeito) e há, infelizmente, milhares de crianças e adolescentes vítimas de pedofilia.
    No meu ponto de vista, Mr. Gray não é uma pessoa má, embora o sadismo dele seja extremo.
    Ele gosta de fazer sofrer, mas sempre de uma maneira consensual e nada que envolva os 3 maiores tabus, que são parafilias (desvios da sexualidade) e considerados crime: o sexo com crianças ou adolescentes de até 18 anos (se o outro é adulto ou adolescente mais velho com pelo menos 4 anos a mais do que a (o) parceira (o) de 14 anos ou menos, sexo com animais (precisa explicar?) ou com cadáveres (eca!).

    No entanto, apesar de Mr. Grey  (ou Gray) ter o suntuoso "Quarto Vermelho da Dor", que faria corar até a mais livre das mulheres, também tem seu lado doce, protetor e é, no fim das contas, um homem atormentado pelos problemas do seu passado: é orfão e passou por coisas terríveis até os 4 anos, depois foi molestado sexualmente por uma predadora sexual, que pode sim ser considerada uma pedófila (embora ele diga que sua "mentora sexual" era uma boa pessoa e permaneça amigo dela).
    Confesso que sinto até certa pena do Mr. Grey pois ele é uma pessoa marcada, um sobrevivente e parece alguém muito, muito solitário e triste.
    Já Anastacia é uma garota jovem, inexperiente e um tanto "perdida". Ele uma espécie de "príncipe das trevas", com seus 50 tons de cinza, mas ainda assim se apaixonou pela primeira vez. Um supre as "necessidades" do outro.
    Embora seja uma fantasia, há sim muitos casos assim: cansei de ouvir esta idealização do amor romântico, do príncipe encantado, de dezenas de pacientes no meu consultório quando ainda atuava como psicóloga e também em conversas com amigas solteiras.
    Mas atire a primeira pedra a mulher que nunca desejou, mesmo que secretamente e sem admitir para si mesma, que adoraria ter um "príncipe" lindo, bonito e porque não, bem sucedido profissionalmente, que a levasse no seu cavalo branco e a tomasse como sua para sempre... mesmo que você precisasse, para tal, viver na torre do castelo, cercada de todos os mimos possíveis?
    Sobre a questão sexual do livro, acho que é algo muito pessoal, acredito que entre duas pessoas adultas que realmente estejam de acordo, a sexualidade deve ser vivida na sua plenitude, respeitando os gostos e limites de ambos, obviamente.
    Exceto pedofilia, sexo com animais, com cadáveres ou "brincadeiras" de alcova que possam causar danos físicos ou psicológicos, tudo é considerado "normal" para a Psicologia, Psiquatria e Medicina, a não ser que a pessoa só consiga se satisfazer com um tipo de fetiche, como por exemplo, um marido querer transar com sua esposa somente se ela vestir determinada fantasia (há homens que só conseguem "chegar lá" se a mulher calçar saltos altos, meias ou outras coisas do gênero na hora do sexo).
    Achei bem engraçada a crítica escrita na Veja por Marcelo Madureira, um dos integrantes do Casseta & Planeta, que dizia que se o tal Mr. Grey fosse pobre, queria ver a Anastacia indo na onda dele... Bem, se fosse o "Puxadinho Mofado da Dor" certamente a história perderia boa parte do encanto, principalmente se o cara fosse um "encostado" que vive tomando cerveja, largado no sofá puído, usando a camiseta que ganhou nas últimas eleições. 
    Só na novela das 9 o lixão parece um lugar tão agradável... Na vida real as pessoas procuram o melhor para si: imagina se você vestiria aquela sua lingerie que custou uma grana para um "bofe" que não escova os dentes desde a hora do almoço e parte direto "pros finalmente", sem uma preliminar sequer? Ou se ele a convidasse para ir ao motel e na saída informasse que não tem dinheiro nem para dividir a conta??? A noite seria memorável? Ou você ficaria se perguntando o porquê de só você se esforçar para parecer linda, cheirosa e independente financeiramente e ele ser assim tão desleixado e folgado?
    As feministas radicais que me perdoem, mas nada como um homem cavalheiro, que abre a porta do carro e a faz se sentir como uma rainha. E isto nada tem a ver com ser bilionário e sim com educação e cuidado para com sua amada.
    As pessoas buscam beleza e conforto (não estou com isso que Anastacia deva se submeter a qualquer coisa para "agarrar" seu bom partido). Mas assim como a beleza dele, o poder também atrai. E atrai ainda mais o fato de ele querer lhe dar prazer.
    Se ele fosse horrendamente asqueroso (eita pleonasmo) ou inseguro, não existiria o Mr. Grey, que é uma espécie de vampiro sim (como naquela outra série de livros e filmes de sucesso), mas a quem Anastacia deseja ardentemente (quem lembra da personagem de Kristen Stewart suspirando por um amor que poderia de fato matá-la, ou a deixar com a maldição da vida eterna?).
    Talvez Mr. Grey agrade tanto justamente por seu um personagem problemático, que vive no escuro, nos seus Cinqüenta Tons de Cinza...
    Mas garotas modernas, é mesmo um livro beeeeeeeeem sexual! Para ler e ficar pensando em sexo...;) Não é exagero dizer que é um pornô soft para mulheres.
    E lembre-se que excetuando o que descrevi acima: danos permanentes à saúde, pedofilia, zoofilia (sexo com animais) e necrofilia (sexo com cadáveres), entre 4 paredes, de forma consensual, com respeito e entre dois adultos, eu acredito que vale tudo.
    Ninguém é "doente" ou precisa de tratamento se deseja fazer um sexo selvagem de vez em quando. Eu disse de vez em quando... Se você ou seu companheiro (a) "precisa" que sempre seja com determinado artifício, é um sinal de alerta que algo pode não estar indo bem.
    Sexo é para ser vivenciado de forma plena e saudável, faz bem para pele, para o coração e não precisa ser feito sempre em 3 posições básicas em 5 minutos, sem preliminares e doces "safadezas" sussuradas no ouvido. Pense nisto!
    Para mim a trilogia é bem bacana (como falei, estou no segundo volume) e já li vários trechos para meu marido, que é óbvio achou instigante saber do que se trata o livro sobre o qual a mulherada não para de falar. E afinal de contas é bom apimentar um casamento de 8 anos e o livro é ótimo para isto...;)
    No mínimo ele serve para se conversar sobre um assunto que ainda é tabu para muitas pessoas: sexo com prazer. Mas lembre-se: a imagem acima é apenas uma brincadeira, só obedeça seu coração e seja feliz!

    E você, garota moderna, o que pensa disto?

    Quando o pedófilo é um conhecido: o mal pode estar bem mais perto do que você imagina

    https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipvVmqoEOocP_hlXZx_8qTR5Thm5HTs0qIeuQLk7IuGFpUzWTkqxuYVQNosYZBwKFQKF3EAzaDJ1CSlMT5sCfCApqoR5MzPnKqFwge-VkldoHTunoCT5QjKwvllob5FAXmydyaaARCoYRX/s1600/lonely_bear.gif
    Imagem: Dallas Dezinz

    Pedofilia é abominável. Eu, você, qualquer pessoa de bem sabe disto.
    De tão hediondo é o tamanho da maldade, que até criminosos perigosos odeiam os pedófilos e muitas vezes os matam na prisão.
    E é uma agressão tão violenta ao âmago de uma criança, que estilhaça sua inocência para sempre, sem possibilidade de esquecimento. Um dia, se houver ajuda profissional e muito carinho e proteção, a a ferida sara, mas as cicatrizes de alma ficam para sempre.
    Para mim é um crime ao qual não cabe perdão (apesar de no Brasil sequer ser considerado crime no código penal, não fala de pedofilia e sim de "estupro de vulnerável" que abrange relação sexual ou outros atos libidinosos com menor de 14 anos, com ou sem o consentimento deste, conforme minhas queridas leitoras advogadas me informaram). 
    Digo isto porque um pedófilo, por mais tempo que passe preso, jamais deixará de ser um predador sexual. Está em cada célula do seu ser o desejo por crianças e adolescentes e ele fará novamente, se tiver oportunidade. E ele vai buscar esta oportunidade.
    Não é por acaso que em países como os EUA as pessoas tem o direito de saber se um molestador de crianças que já foi condenado e pagou sua pena, aluga um apartamento em um prédio. Há até programas para celulares que indicam a localização das casas destas pessoas. Tudo para proteger as crianças. Direitos humanos de ex condenados por crimes sexuais? Privacidade? Lá o Estado põe acima disto o direito das crianças e adolescentes terem uma vida protegida.
    Na Califórnia e em países como Suécia, Argentina, França e Itália a lei já discute a chamada castração química que é feita através da aplicação do medicamento Depo-Provera, que inibe a produção de testosterona, realizada periodicamente por um médico designado pela Justiça. Em alguns países é usada como parte da pena e em outros como "pena voluntária", onde o condenado troca a prisão pelo medicamento.
    A castração química não resolve o problema totalmente, já que mesmo com a testosterona radicalmente reduzida muitos molestadores continuam a agir, mas é um avanço na proteção de crianças e adolescentes contra pedófilos (e também de mulheres contra os estupradores).
    Tanta radicalidade tem uma razão: a pedofilia não tem "cura", pois o pedófilo, assim como o estuprador, se enquadra num tipo de psicopatia classificada como parafilia.
    O Psicopata não é doente mental, ele sabe exatamente o que está fazendo e em geral consegue "se safar" durante muito tempo antes de ser pego (e muitas vezes nunca é descoberto), especialmente no caso da pedofilia, que muitas vezes não deixa marcas físicas na vítima, dificultando que descubram a agressão.
    A Psicopatia é um transtorno de personalidade, como se fosse um "erro" na formação do "caráter" daquele indivíduo.
    Há os psicopatas que tentam tirar vantagens de outras pessoas, enganando e ludibriando (como muitas pessoas que você e eu conhecemos), há os que seguem a vida cometendo crimes, mais brandos ou mais graves para alcançar seu objetivo (como a personagem Carminha, da novela Avenida Brasil), há os que assassinam ou planejam assassinatos (como ao que tudo indica é o caso de Suzane Richthofen) e há aqueles cuja motivação principal é a agressão sexual, de adultos (os estupradores) ou crianças e adolescentes (os pedófilos).
    Sendo uma "falha de caráter" onde a característica principal é a ausência de arrependimento, completa consciência dos seus atos (eles sabem perfeitamente o que é certo e errado), dissimulação para conseguirem o que desejam, muitas vezes inteligência e astúcia e nenhum desejo genuíno de "melhorarem", a psicopatia é característica inerente destes indivíduos e esta característica não muda com punição, castigo, exposição pública (pois não se envergonham dos seus atos), medicamentos psicotrópicos ou o tempo.
    Uma pessoa que é pedófila hoje vai morrer pedófila. Não se engane, ela não vai deixar de molestar crianças. Se tiver oportunidade, irá fazer novamente.
    O que fazer então para proteger nossas crianças e adolescentes?
    Sei que muitas de vocês são mães e as que ainda não são (como eu) tem muitas vezes sobrinhos, afilhados, primos menores, irmãos mais novos.... Proteger os pequenos é responsabilidade dos adultos.
    Entenda então como perceber se há algo estranho:
    • a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), da Organização Mundial da Saúde (OMS), item F65.4, define a pedofilia como "Preferência sexual por crianças, quer se trate de meninos, meninas ou de crianças de um ou do outro sexo, geralmente pré-púberes
    • quase todos os pedófilos são homens, é raro a pedofilia ser praticada por uma mulher
    • a pedofilia nada tem a ver com orientaçãos sexual, ou seja uma pessoa não tem mais ou menos chance de ser pedófila por ser homossexual ou bissexual
    • pais, padrastos, avôs, primos, irmãos mais velhos e tios são os principais agressores
    • amigos da família, vizinhos e pessoas próximas da criança como professores também podem cometer o crime
    • pedófilos podem escolher crianças e adolescentes de qualquer sexo ou idade (até mesmo bebês muito pequenos podem ser molestados) e é comum terem preferência por certas características físicas, sexo ou faixa etária
    • muitos pedófilos escolhem profissões onde lidam diretamente com crianças, facilitando a aproximação (professores de escola infantil, instrutores de natação para crianças, pediatras, escritores infantis, animadores de festa infantil, motoristas de transporte escolar, etc)
    • em geral parecem calmos e nada ameaçadores
    • o pedófilo costuma se aproximar de suas vítimas de forma amigável, tentando parecer um "amigo especial", podendo dar briquedos, doces, contar histórias para ganhar intimidade
    • gosta de fotografar crianças, mesmo que não sejam parentes
    • gosta de pegar crianças no colo, tocá-las de maneira "afetuosa", mesmo não sendo familiar próximo
    • um pedófilo pode "cercar" uma criança e uma família por anos até alcançar seu intento, sempre de forma gentil para conquistar confiança
    • um pedófilo pode molestar até 150, 200 crianças ao longo da vida, pois o comportamento tende a começar no início da idade adulta e se perpetuar até mesmo na velhice
    • o pedófilo tende a parecer "gostar demais" de crianças, sendo solícito na tarefa de levar os coleguinhas do filho para as festinhas, levar várias crianças no parque, ao cinema, etc
    • segundo o critério da OMS, adolescentes de 16 ou 17 anos também podem ser classificados como pedófilos, se eles tiverem uma preferência sexual persistente ou predominante por crianças pré-púberes pelo menos cinco anos mais novas do que eles
    • na maior parte das vezes o pedófilo não completa a relação sexual (não há penetração), até como forma de não ser pego
    • o pedófilo pode beijar, abraçar inadequadamente, tirar a roupa e/ou pedir que a criança tire as suas, masturbar-se, tanto na presença da criança como vendo imagens de crianças e adolescentes seja através da Internet ou em fotos
    • a imensa maioria das crianças que sofrem abusos não se tornam abusadores quando adultos
    Lembre-se do ditado: "quem cala, consente".
    Não compactue com o mal que rouba a inocência e a pureza de crianças e adolescentes!
    Disque 100 para denunciar!


    "O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, e sim por aquelas que permitem a maldade."
    (frase atribuida a Albert Einstein)

    Embora eu seja Psicóloga (CRP 12/01422), formada em janeiro de 1995 pela UFSC, o objetivo destes posts não é dar aconselhamentos pela Internet (até porque o Conselho Federal de Psicologia proíbe esta prática) e sim falar de pedofilia com o intuito de informar.

    Sinais de alerta que a criança ou adolescente possa ser vítima de pedofilia

    Imagem: Veja

    Crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual podem apresentar alguns sinais de alerta:
    • a criança ou adolescente passa a se comportar de forma estranha: ou agressiva, ou chorosa e com medo, ou esquiva ou irritadiça
    • pode haver regressão nos comportamentos (a criança volta a chupar dedo, a fazer xixi na cama, falar como bebezinho)
    • recusa de comer ou diminuição do apetite
    • pode ocorrer insônia, pesadelos ou excesso de sono (o "dormir para esquecer")
    • a criança ou adolescente pode ter comportamentos de evitação (não quer mais ir na casa de determinado parente ou amigo da família/escola/clube, onde possa encontrar o agressor)
    • comportamentos de auto mutilação: morder mãos e braços, se cortar, viver se machucando
    • baixo desempenho escolar
    • afastamento de atividades que antes lhe davam prazer
    • medo de adultos
    • choro sem motivo
    • dores físicas sem razão aparente, vômitos, diarréias (que denotam ansiedade)
    • se houve contato sexual com penetração ou tentativa pode haver machucados na área genital e anal, corrimentos (nas meninas) e até mesmo DSTs
    • interesse acentuado pelo sexo (o abuso sexual muitas vezes desencadeia um amadurecimento sexual precoce, não compatível com a idade)
    • "brincadeiras sexuais" feitas com outras crianças, de forma persistente, exagerada ou muito elaborada para a idade
    • conversas de cunho sexual descrevendo ou falando de aspectos da sexualidade incomuns para a idade
    • a criança ou adolescente relata que tem um "amigo" adulto que lhe dá muitos presentes e é muito "legal"
    • uso de drogas ou álcool precocemente
    • tentativa de suicídio
    • anorexia (nem todo anoréxico já foi molestado, mas há um grande número de crianças abusadas que desenvolvem anorexia)
    • medo de morrer cedo
    • pequenos furtos
    • baixa auto estima
    • gravidez precoce (pela sexualização precoce) 
    Se você é mãe, tia, irmã, vizinha, professora de alguma criança ou adolescente que apresenta comportamentos descritos acima, procure ajuda no Conselho Tutelar da sua cidade ou faça uma denúncia através do número 100 (em ambos os casos você não precisa se identificar). Não seja conivente com um crime tão cruel!

    Embora eu seja Psicóloga (CRP 12/01422), formada em janeiro de 1995 pela UFSC, o objetivo destes posts não é dar aconselhamentos pela Internet (até porque o Conselho Federal de Psicologia proíbe esta prática) e sim falar de pedofilia com o intuito de informar.