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Desde que vi Natalie Portman em "O Profissional", fiquei esperando quando aquela menina de 13 anos, uma verdadeira promessa, desabrocharia.
Passados 16 anos, agora com 29 anos, tendo no currículo papéis como a da Princesa Amidala em Guerra nas Estrelas, de uma stripper em "Closer - Perto Demais" e uma heroína de cabeça raspada em "V de Vingança", sempre achei as atuações perfeitas, mas sem emoção.
Vegetariana, totalmente discreta com sua vida privada, nascida em Jerusalém, filha única e formada em Psicologia por Harvard, sempre achei Natalie meio sem sal, além, de ter para mim uma beleza comum.
Claro que eu nunca esqueci seu papel de pirralha valente no filme "O Profissional" e por isso fui assistir Cisne Negro.
E me surpreendi, e recomendo, claro que só se você estiver a fim de ver um filme para pensar, pois nem de longe é uma película para relaxar.
E os esforços de 15 horas de filmagens, mais oito horas de treino em balé, nos brindaram com uma atuação maravilhosa!
A filmagem é angustiante, inquieta e claustrofóbica, acompanhando as paranóias da protagonista, tanto é que em deteminada altura da história já não temos mais certeza o que é real ou não.
No começo parece tudo muito clichê, a aluna boazinha ganha o papel mais disputado na companhia, só que terá que interpretar no conhecido "O Lago dos Cisnes" o cisne bom e o ruim, instigada pelo seu professor (por quem se apaixona) tenta colocar para fora esse lado "mau".
Ocorre, que a personagem só aparenta ser boazinha, na verdade é oprimida por uma mãe autoritária (que é uma bailarina frustrada), tem um ego enorme, se acha melhor que as companheiras, nega sua sexualidade que está florescendo, tem inveja da bailarina mais velha e de uma colega recém chegada a companhia, se auto mutila, é bulímica e ser bailarina é o cenário perfeito para que seu perfeccionismo doentio apareça com toda força.
A personagem vai buscando dentro de si o cisne negro e com ele vão aparecendo suas paranóias, a busca pela perfeição, a não entrega ao prazer que escondem uma baixo auto-estima que a fazem exercer a profissão sem emoção, sem alma.
Longe de ser um clichê o filme surpreende pois Natalie consegue nos aprisionar e sentir toda a turbulência da personagem, fazendo-nos sentir desconfortáveis na poltrona pois vemos sua excessiva magreza, sua obsessão em querer agradar a todos e suas fantasias levando-a para o desfecho final.
Natalie disse que cada personagem a afeta, esse deixou marcas, ela está grávida de um colega do elenco e diz que é "um soldado" somente com o trabalho, porém o que vemos nas telas é uma promessa concretizada: ela se tornou uma grande atriz, digna do Oscar. Podemos ver sua alma, por baixo de toda a composição perfeita de Nina.
Quanto a Nina, sua personagem, essa nos deixa a melhor lição do filme: o perfeccionismo, a pouca auto-estima, a inveja, a opressão por querer agradar a todos podem resultar em trabalhos maravilhosos, mas o preço pode ser alto. Vale a pena pagá-lo?