Desde a última quinta-feira de madrugada, quando o caso “Instituto Royal” caiu na rede, eu venho apoiando as manifestações e ações dos ativistas, pelo simples fato de que os animais sofrem e não suporto a ideia de vê-los torturados, seja pela finalidade que for. Mas essa sou eu. Tem gente que vê o animal (o humano também) como um instrumento de pesquisa, como mercadoria, como comida, como um produto a ser explorado e isso se dá por vários fatores: desde espiritual, de necessidade ao cultural. O tema é extenso e pesado demais, mas vou colocá-lo aqui, de maneira simplista e leiga, o meu ponto de vista.
Sou daquelas que não mato uma aranha, acho lindo o trabalho delas, mas chega uma hora que a minha casa parece da família Adams e passo a vassoura nas teias e lamento por isso. Adoro ver as formiguinhas carregando folhinhas, cuidadosamente, pra construir seu formigueiro (quem aí já viu o filme Formiguinhaz?), mas passo repelente natural pelo quintal pra evitá-las. Eu sou idiota por isso? Pode ser. Mas como ser humano, não me sinto mais nem menos que nada na natureza. Evito matar animais, repelindo-os. Mas mato uma pulga se encontro nos meus cães. Mato um mosquito que está me mordendo. E por aí vai...
O que eu quero dizer com essas amenidades é que não posso ser hipócrita nesta questão; nem ser oito, nem oitenta. Trato os meus, domésticos, como filhos; procuro não prejudicar nenhum, mas o simples fato de existir, já me faz matar vários animais. Mas isso não me dá o direito de decidir entre a vida e a morte deles, ou pior, de torturá-los. Bom, o poder e até o direito eu tenho, mas será que é “certo”? Até que ponto? Tenho muitas e muitas dúvidas. Mas também tenho várias certezas. E você também deve ter as suas.
Tenho certeza que não quero comprar e usar um batom, por exemplo, que, para ser elaborado com extrato-de-sei-lá-o-quê, para minha boca ficar linda e ele durar 24h, teve que matar milhares de coelhos, ratos ou qualquer animal que seja. Não, obrigada. Para um cabelo lindo e sedoso, não quero a morte de milhares de animais aqui. Não quero vários macacos morrendo de câncer pra gente saber quanto tempo se pode fumar “seguramente”. Nem quero saber quanto tempo leva-se pra morrer se eu ficar pingando detergente no meu olho até formar um tumor. Eu não vou fazer isso. Minha roupa branquinha não vale a vida de UM cão, muito menos de milhares. Essas coisas “menores”, pra mim, não tem discussão. É como usar pele de animal, é pura vaidade. Quanto aos remédios, doenças etc, não tenho como julgar. Só sei que se eu fosse cientista, mesmo se estivesse pra descobrir a cura de qualquer doença, EU não teria coragem de fazê-lo torturando um animal, dia após dia. Há cientistas que dizem que não é possível fazê-lo sem estes testes direto em animais não-humanos. Outros dizem que a tecnologia já permite. Eu não sei como lidar com isso. Se os segundos estiverem certos, meu ódio eterno para os primeiros. Mas se não, como julgar alguém que escolhe a cura de alguma doença humana acima de qualquer sofrimento animal? Se bem que eu tenho um pensamento de que as doenças estão aí, brotando continuamente (assim como as pragas na idade média), para dar uma equilibrada em um planeta lotado (e, consequentemente, de animais de corte) – até alguém que eu ame ficar doente e eu perguntar continuamente o porquê.
Aí surgem várias questões, como a de comer carne, por exemplo. Quem come carne e defende, normalmente aponta estudos que dizem que a carne é fundamental pro ser humano, que vai ficar desnutrido se não comer. E quem não come, mostra todas alternativas para isso não acontecer, até citando atletas de alto nível veganos. E apontam estudos: uns contras outros a favor, todos “científicos”. O mesmo vai acontecer nesse caso dos cosméticos e farmacêutica. Só que eu gosto sempre de dizer pras pessoas: só o fato de você diminuir, SE você se importa com os animais, SE você se importa com o planeta, já faz diferença, tanto num caso como no outro. EU escolho não usar. Tem pessoas que não comem nenhum alimento de origem animal, não só a carne. Outras optam por comer animais criados livres, pelo fato de terem uma vida pré-morte, diferente dos confinados, que são torturados, assim como os pobres beagles (ou pior). Sim, eu sei que a parte irracional do humano, que se solidariza com o animal doméstico, igualzinho ao que temos em casa, que fez esse caso vir à tona. Afinal, a gente imagina os nossos no lugar deles, sendo cortados a frio, sem qualquer carinho e atenção, vivendo em ambientes estéreis e totalmente fora do contexto pra eles. Isso é importante, é pensar no outro, além do seu umbigo, mesmo que o outro seja um animal não-humano. Que levemos isso pra vida então! Diminuindo aos poucos o consumo desses produtos e cortando geral pra quem consegue (o que é praticamente impossível hoje em dia).
Eu costumo dizer, não faz muito tempo que os ditos “humanos” consideravam os negros sem alma e faziam o que quisessem deles. E antes deles, os pobres. E ainda hoje o fazem com qualquer ser humano que considerem abaixo de sua linha de dignidade, menos explicitamente. Mas isso mudou, não em todo lugar. Mas vem mudando, junto com o respeito aos nosso irmãos não-humanos. Já dizia Gandhi: “A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo que seus animais são tratados”.
Tá complicado, né? Eu mesmo tô confusa com meus pensamentos e peço a vocês que contribuam dizendo o que vocês acham sobre isso tudo. Talvez alguém tenha todas as respostas na ponta da língua pra todas essas questões. Talvez vocês se identifiquem com meus pensamentos. Mas uma coisa eu sei: eu sempre procurei comprar produtos que não testam em animais, desde que morei nos EUA, onde as embalagens eram bem claras quanto à isto. Eu acho que, mesmo fazendo pouco, boicotando essas marcas, ao menos, já estamos fazendo algo. Nunca pense que você não faz diferença. Junto fazemos. E UMA vida que você salva, é um MUNDO TODO salvo.
E digo mais, agora com um cunho político: estou achando lindo o nosso país se movimento por interesses em comum, graças à internet. Estamos ganhando força desde #ogiganteacordou. E a cada movimentação popular desde porte, fico feliz em ver o povo se juntando pra tornar nosso país um pouco melhor e fazer os políticos e grandes empresas pensarem duas vezes antes de achar que somos um bando de trouxas, que não iremos fazer nada. Isso é lindo! Várias manifestações contra outros institutos e universidades estão sendo organizadas por quem acredita que pode e deve mudar essa cena. Procure a da sua cidade. E tem todo meu apoio.
Veja AQUI as empresas que testam ou não em animais (ou google it). Imprima e leve com você. Você tem opção!
Enfim, acabo por aqui, me desculpando, mais uma vez, pela confusão de pensamentos, mas com a certeza de que nenhuma animal deve sofrer, pelo menos, por questões de vaidade. Alguém mais pensa assim aí?
“Não há diferença fundamental entre o homem e os animais nas suas faculdades mentais(...)























