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Eu
sei, garotas modernas, que o GM é considerado um "blog de moda" e que
muita gente passa por aqui em busca de temas leves, bonitos e divertidos
como as novidades do mundinho Fashion e suas delícias.
Continuo adorando estes temas, é óbvio, mas o GM também sempre se propôs a falar sobre comportamento.
O
tal Feliciano, ao apoiar coisas absurdas como a "cura gay" e o
"bolsa estupro" me causam uma indignação tão grande que me faz perder o
sono!
Ser
gay não é uma "opção" ou "escolha", como muitos erroneamente dizem: é
uma orientação sexual, algo intrínseco aquele indivíduo e que não tem
absolutamente a ver com doença, patologia ou desvio.
Comecei
a fazer Psicologia em 1990, com 17 anos recém completados e desde lá os
professores da UFSC reiteraram o que eu sempre pensei, desde muito
cedo: ser homossexual é tão normal quanto ser heterossexual. Não é a
orientação sexual que define caráter, competência e tampouco sanidade
mental de uma pessoa!
Já basta a sociedade discriminar estas pessoas – o consultório de Psicologia não deve ser usado para tentar “consertar” o que não está errado e sim aquele indivíduo perceber que ele não é pior do que os demais por ter uma orientação sexual diferente da heterossexual.
Homofobia sim é crime e precisa de intervenção do Estado.
Como psicóloga que sou só posso ficar horrorizada com estas duas propostas imbecis apoiadas pelo infeliz Feliciano.
Será
que se ele fosse mulher e fosse estuprado, ficaria satisfeito em
receber a tal "bolsa estupro" e sentir dia a dia o fruto da violência
crescer em seu ventre?
Querem transformar estas mulheres já violentadas em mártires?
Obviamente
acredito que em situação de gravidez originada por estupro a decisão de
abortar ou não deva ser da mulher. Diante de tamanha barbárie esta
mulher merece ser amparada naquilo que julgar melhor para ela.
Me
desculpem os fanáticos religiosos, mas o bem estar da mulher estuprada e
por que não dizer sua saúde mental precisam ser colocadas sim acima
de qualquer outro fator.
Não
é cabível que alguém ache certo, por exemplo, uma menina de 12 anos
violentada pelo pai ser estimulada (e de certa forma coagida) a levar
esta gravidez até o fim.
Ou
que uma mãe de 3 filhos e casamento sólido tenha que viver o martírio
de 9 meses de uma gravidez indesejada por ter sido estuprada num
assalto, trazendo assim a lembrança daquele momento de horror para o seu cotidiano e de sua família.
Você é mulher e se não é tem mãe, irmãs, filhas, amigas...
E se fosse sua mãe a estuprada?
Sua sobrinha de 13 anos?
Você mesma?
Muito bonito falar em "preservar a vida" do nascituro em detrimento do equilíbrio de quem já teve sua vida devastada.
Fiz uma cirurgia no joelho, estou de cama, mas não é por causa disto que agora não quero falar sobre "look do dia" hoje. Aqui de pijama, na segurança e conforto da minha casa, não quero que meus amigos gays sejam discriminados e rotulados de "doentes".
Não
quero que uma garota nos confins do nosso país seja induzida a
continuar grávida do seu estuprador por causa de uma "bolsa estupro" e
um suposto "pecado" no ato de tentar minimizar uma dor indescritível ao interromper a gestação que foi resultado de uma violência já dificílima de superar.
Não
acredito nesse Deus que concordaria com estes dois absurdos e não posso me conformar com uma classe política que acha que estar grávida por causa
de um estupro é normal e ser gay não é.
Se meu "look do dia" hoje não fosse pijama e joelho enfaixado estaria na rua sim protestando contra estes absurdos.
Por
isto protesto daqui, da minha cama, mas de forma veemente: não podemos
retroceder, pois pelas "leis" deste infeliz Feliciano daqui a pouco
estaremos de novo vendo pessoas queimadas na fogueira. Já estão, de
certa forma, sendo vítimas da intolerância, preconceito e extremismo
religioso, sendo que, ao menos na teoria, o Brasil é um país laico.
Você que ama seus semelhantes não pode se calar!
Estes
dois absurdos podem, um dia, chegar em você. E se um dia você tem um
filho gay ou uma filha grávida por estupro? Gostaria que eles fossem
tratados assim?
Pense nisto!