19.6.13

Um infeliz chamado Feliciano: sobre a "cura gay" e o "bolsa estupro"

Imagem: Google

Eu sei, garotas modernas, que o GM é considerado um "blog de moda" e que muita gente passa por aqui em busca de temas leves, bonitos e divertidos como as novidades do mundinho Fashion e suas delícias.
Continuo adorando estes temas, é óbvio, mas o GM também sempre se propôs a falar sobre comportamento.
O tal Feliciano, ao apoiar coisas absurdas como a "cura gay" e o "bolsa estupro" me causam uma indignação tão grande que me faz perder o sono!
Ser gay não é uma "opção" ou "escolha", como muitos erroneamente dizem: é uma orientação sexual, algo intrínseco aquele indivíduo e que não tem absolutamente a ver com doença, patologia ou desvio.
Comecei a fazer Psicologia em 1990, com 17 anos recém completados e desde lá os professores da UFSC reiteraram o que eu sempre pensei, desde muito cedo: ser homossexual é tão normal quanto ser heterossexual. Não é a orientação sexual que define caráter, competência e tampouco sanidade mental de uma pessoa!
Já basta a sociedade discriminar estas pessoas – o consultório de Psicologia não deve ser usado para tentar “consertar” o que não está errado e sim aquele indivíduo perceber que ele não é pior do que os demais por ter uma orientação sexual diferente da heterossexual.
Homofobia sim é crime e precisa de intervenção do Estado.
Como psicóloga que sou só posso ficar horrorizada com estas duas propostas imbecis apoiadas pelo infeliz Feliciano.
Será que se ele fosse mulher e fosse estuprado, ficaria satisfeito em receber a tal "bolsa estupro" e sentir dia a dia o fruto da violência crescer em seu ventre?
Querem transformar estas mulheres já violentadas em mártires? 
Obviamente acredito que em situação de gravidez originada por estupro a decisão de abortar ou não deva ser da mulher. Diante de tamanha barbárie esta mulher merece ser amparada naquilo que julgar melhor para ela. 
Me desculpem os fanáticos religiosos, mas o bem estar da mulher estuprada e por que não dizer sua saúde mental precisam ser colocadas sim acima de qualquer outro fator.
Não é cabível que alguém ache certo, por exemplo, uma menina de 12 anos violentada pelo pai ser estimulada (e de certa forma coagida) a levar esta gravidez até o fim.
Ou que uma mãe de 3 filhos e casamento sólido tenha que viver o martírio de 9 meses de uma gravidez indesejada por ter sido estuprada num assalto, trazendo assim a lembrança daquele momento de horror para o seu cotidiano e de sua família.
Você é mulher e se não é tem mãe, irmãs, filhas, amigas...
E se fosse sua mãe a estuprada?
Sua sobrinha de 13 anos?
Você mesma?
Muito bonito falar em "preservar a vida" do nascituro em detrimento do equilíbrio de quem já teve sua vida devastada.
Fiz uma cirurgia no joelho, estou de cama, mas não é por causa disto que agora não quero falar sobre "look do dia" hoje. Aqui de pijama, na segurança e conforto da minha casa, não quero que meus amigos gays sejam discriminados e rotulados de "doentes".
Não quero que uma garota nos confins do nosso país seja induzida a continuar grávida do seu estuprador por causa de uma "bolsa estupro" e um suposto "pecado" no ato de tentar minimizar uma dor indescritível ao interromper a gestação que foi resultado de uma violência já dificílima de superar.
Não acredito nesse Deus que concordaria com estes dois absurdos e não posso me conformar com uma classe política que acha que estar grávida por causa de um estupro é normal e ser gay não é.
Se meu "look do dia" hoje não fosse pijama e joelho enfaixado estaria na rua sim protestando contra estes absurdos.
Por isto protesto daqui, da minha cama, mas de forma veemente: não podemos retroceder, pois pelas "leis" deste infeliz Feliciano daqui a pouco estaremos de novo vendo pessoas queimadas na fogueira. Já estão, de certa forma, sendo vítimas da intolerância, preconceito e extremismo religioso, sendo que, ao menos na teoria, o Brasil é um país laico.
Você que ama seus semelhantes não pode se calar!
Estes dois absurdos podem, um dia, chegar em você. E se um dia você tem um filho gay ou uma filha grávida por estupro? Gostaria que eles fossem tratados assim?
Pense nisto!

5 comentários:

  1. Oi Shirley, escrevi um texto no mesmo tema, e concordo com a sua opinião. Vou colocar aqui!

    Sobre projetos de lei ridículos

    Sou o tipo de pessoa que dá os pés, as mãos, e o que mais precisar, pra não entrar em uma briga. Mas existem certas coisas que você fica matutando e pensa 'isso não pode ser verdade'.
    Quem diabos é que inventa esses projetos de lei? Direito dos embriões. "Estatuto do Nascituro"

    Custo acreditar que isso tenha saído da cabeça de uma mulher, ou mesmo de um homem com o mínimo de sensatez.

    Como homem, você provavelmente não vai ser estuprado, certamente não vai ter uma gravidez de risco, mas e se for a sua esposa? filha? irmã?
    É evidente que os embriões não tem culpa, que a criança nascida de um estupro, não tem como saber a carga emocional de m**** que a mãe carrega e nem a família depois de um acontecimento deste porte. Mas, nem com toda alma mais elevada, e o sentimento mais puro desse mundo, é possível apagar as memórias de algo assim.

    E não me venham falar que Deus deu a vida bla bla bla... Onde estava seu Deus enquanto milhares de mulheres são violentadas por ai? Em que parte o direito a vida, em uma gravidez de risco, se sobrepõe a possibilidade de morte da mãe, ou do bebê, ou pior... de ambos! Temos a loteria da morte então? Ninguém deve ser obrigado a tentar a sorte sem querer.
    É evidente que existe um prazo, um período de tempo onde o aborto é possível e indicado. Passado esse limite concordo que tirar a vida de uma criança pronta para nascer, ai sim é um crime.

    Nenhuma mãe, que é ou quer ser MÃE de verdade, vai fazer uma coisas dessas por capricho. Abortos feitos por mulheres imprudentes, que não se cuidaram na hora do sexo, ou que não querem os filhos, vão acontecer independente de qualquer lei que se faça.

    Ouvindo os comentários hoje pensei, - as mulheres tem que andar com a pílula do dia seguinte na bolsa, para evitarem serem punidas criminalmente depois, mas me informando mais sobre o tal projeto de lei, métodos contraceptivos também serão controlados. Gente! Existe lei mais ridícula e absurda que essa?

    Sem contar que incentiva os abortos clandestinos, que vai favorecer o abandono de crianças, que impede o avanço da ciência pela proibição de pesquisas embrionárias, que o governo vai pagar uma ABSURDA bolsa estupro para família, etc etc etc.

    Como diz minha mãe, gravidez pode até ser um momento divino, mas não tem nada de Deus no meio. É biológico. De qualquer forma, sendo biológico ou divino, é preciso que respeitem a mulher e seu corpo, porque sem elas, nenhum embrião terá chance de nada.

    Pra quem ainda não votou CONTRA: http://estatutonascituronao.fw2.com.br/

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    1. Grazi,
      Muito bacana e esclarecedor seu comentário.
      Já votei lá também e realmente não entendo como mulheres podem ser a favor disto!
      Parabéns por ser tão articulada e esclarecida!;)
      beijos

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  2. Shirley! Adoro seu comentários psicológicos! Mas sem ofensas este seu post, eu achei um tanto quanto impulsivo. Sou cristã, o Feliciano não me representa, pq sei que uma representação política deve levar em conta um país laico com diversos pontos de vista e deve ser administrado considerando todos elas. Porém, essas ementas foram rotuladas com nomes pejorativos, e não concordo com o uso delas. Quanto ao que elas dizem, sim, a intenção foi um tanto imposta, coisa que discordo, cada um faz aquilo que acha melhor aos seus olhos, mas fui atras e o que entendi foi que a ementa quer deixar "os dois lados iguais" perante a lei, e nao vejo o bixo de sete cabeças disso.

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    Respostas
    1. Tatiana,
      Respeito sua opinião, mas sou psicóloga há mais de 18 anos e posso afirmar que não é possível alterar a orientação sexual de uma pessoa. É como tentar transformar uma pessoa negra em branca ou vice-versa. O que nós psicólogos devemos fazer é ajudar aquela pessoa a não se sentir doente, pior ou inferior aos outros por ter uma orientação sexual diferente da heterossexual. Se a própria OMS considera que ser homossexual não é doença e sim uma característica intrínseca e NORMAL a algumas pessoas, qual o sentido de um psicólogo tentar "consertar" o que não está "estragado"?
      Sobre a questão do Nascituro (direito dos embriões desde sua concepção, mesmo sem haver ainda a nidação (implantação dele no útero)), ela impede que mulheres que não podem ter filhos façam fertilizações in vitro, obrigam a mulher grávida de um bebê anencéfalo (sem cérebro), que morrerá assim que sair do útero a levar a gravidez até o fim, mesmo que isto traga riscos à sua saúde ou risco de morte, de certa forma incentiva mulheres (e meninas, crianças ainda de 11, 12 anos) estupradas a levarem a gravidez até o final criando mais trauma. Além disto, uma mulher que sofre um aborto espontâneo (que acontece com cerca de 20% das mulheres ao menos uma vez) pode ser investigada por "assassinato" do embrião.
      As grávidas por estupro que realmente desejam levar a gravidez até o fim já tem este direito, mas incentivar isto é no mínimo, crueldade. Imagine a pressão que esta mulher sofrerá? E as crianças de 11, 12 anos, estupradas por seus pais devem ser levadas a manter uma gravidez que é de altíssimo risco por causa da idade????
      beijos!

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  3. Conheci uma garota que tinha a minha idade e era um ex-aborto (tds a conhecia assim). A mãe dela a maltratava diariamente, ela era muito depressiva e aos 12 se tornou obesa.
    Diante dessa memória horrível, onde eu presenciava a tortura psicológica mútua e constante entre mãe e filha, fico pensando; é sempre assim em casos semelhantes?
    Gostaria de saber se há estatísticas aqui no Brasil do que ocorre c/ os ex-abortos.
    Sei que nos USA as estatísticas demonstram que eles crescem revoltados e literalmente mal-amados, geralmente se tornando deliquentes. Cadê os 'defensores da vida' p/ lidar c/ eles depois de nascidos?
    Bjs
    (obs.: lutemos contra a PEC 99 tb)

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