17.1.18

FOMO: a síndrome comportamental agravada pelo Instagram



Quase todos estão na Internet. Meu pai de 80 anos está, eu certamente também, afinal você está lendo o que escrevi e publiquei em uma rede social ou no blog.
Se você está em sua casa ou no trabalho lendo este texto agora provavelmente já notou que quase todas aquelas pessoas que você segue nas redes sociais estão na praia, comprando algo, comendo alguma coisa maravilhosa, vendo um por do sol incrível ou então à caminho daquele destino que você sempre quis conhecer.
Sentimentos ruins (alguns quase inconfessáveis) começam a surgir na cabeça: inveja, desconforto, sentimento de que você está perdendo sua vida no sofá ou na mesa de trabalho... Todo mundo se divertindo e você aí sozinha. Todo mundo feliz naquela festa badalada e você aí de pijama. Todo mundo bronzeado e com a barriga tanquinho e você... Pode completar como quiser.
O fato de sermos bombardeados pela felicidade alheia aumenta a sensação de insatisfação com nossa própria realidade. As inúmeras opções de divertimento que os outros postam, as fotos incríveis e legendas bacanas só contribuem para o sentimento de que os outros são melhores do que nós.
Se não podemos fugir completamente da tecnologia (ou simplesmente não queremos porque adoramos o que ela nos proporciona), precisamos lembrar que assim como qualquer coisa na vida, as redes sociais também tem seu lado negativo e um deles são os novos transtornos de comportamento que estão surgindo com esta nova realidade.
Um deles é o FOMO, sigla em inglês para “Fear Of Missing Out” ou, em tradução livre, medo de estar perdendo alguma coisa, termo cunhado em 2000 para explicar aquela insatisfação que sentimos com nossas próprias vidas ao acompanharmos as vidas aparentemente perfeitas (#sqn) de quem seguimos nas redes sociais.
O FOMO é caracterizado por 3 sinais: ser incapaz de se desconectar, sentir necessidade de saber o que os outros estão fazendo e ficar incomodado por não participar de algo que considera interessante.
Um estudo conduzido pela instituição de saúde inglesa Royal Society for Public Health, chamado de Status of Mind, traz o resultado de entrevistas feitas com 1.500 pessoas, com idades entre os 14 e os 23 anos, sobre como as redes sociais Instagram, Snapchat, Twitter, Facebook e YouTube impactam na sua saúde mental. Os resultados mostraram que o Instagram impacta de modo muito negativo por não dar espaço à imperfeição, o que leva muitas pessoas a terem mais sentimentos como ansiedade, depressão, solidão e insatisfação, e uma sensação crescente de não pertencer a lado nenhum, de estar de fora.
Em tempos de hiperconectividade as redes sociais mostram as melhores experiências dos usuários - e não da totalidade das experiências. Este recorte mostrando o lado mais festivo, mais bacana, mais feliz e bem sucedido da realidade dos outros potencializa aquela sensação de que a grama do outro é sempre mais verde. Ela até pode ser, mas muitas vezes é grama fake ressaltada pelos melhores filtros.
O filósofo francês Montesquieu (1689-1755) já dizia: “Se quiséssemos apenas ser felizes, seria fácil. Mas queremos ser mais felizes que os outros, o que quase sempre é difícil, já que  pensamos que eles são mais felizes do que realmente são”.

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