Passeando pelo
Facebook, Instagram e Twitter (@marimssiebert) nos últimos tempos, é evidente que a febre dos
sneakers de salto está cada dia maior no Brasil: tanto paro o amor, quanto pro ódio.
Bom, começando do começo, sneakers nada mais são que tênis de passeio: aqueles sem função para o esporte ou outra atividade específica, tipo o clássico All Star. Erroneamente o povo já está falando sneaker e associando àqueles de salto, vindos da ideia daqueles que Isabel Marant criou (ou não).
Não sei se é pela minha formação em moda ou a curiosidade latente do geminiano (ciência, oi?), mas eu sempre me perguntava como funcionava esse processo: um objeto que parece horrendo há alguns anos, “do nada” vira febre e as pessoas compram sem pensar; apenas precisam dele. O tal do must have.
Enfim, existem várias teorias dentro dos estudos de moda que vão desde o lançamento de tal produto/cor/forma por um bureau de tendências, de acordo com o que o mercado pode oferecer em grandes quantidades, até o street style, formando um denominador comum de tal objeto/cor/forma, passando por uma forte campanha de marketing de tal marca. Pensem bem: quem de vocês conhecia o nome Isabel Marant antes desta febre?
Pois bem, dentro de várias possibilidades, penso que foi escolhido pela marca citada acima o último caso: um bom e caro plano de marketing. Ou vocês acham coincidência várias celebridades internacionais, conhecidas pelo seu estilo e bom gosto, do nada, aparecerem usando este calçado?
Nos blogs que acompanho (e são muitos), ficou bem claro o processo: identificada a tendência, as bloggers trouxeram o assunto à tona, normalmente perguntando: “você usaria”? É a fase do estranhamento. Depois de muitas celebridades, fashionistas etc aderirem, vem a fase da aceitação: “até que é bonitinho”. Até a fase atual que nos encontramos, que a pessoa se desespera e precisar ter o objeto para não se sentir inferior, fora dos padrões. Óbvio que essa é uma análise fria e não se encaixa à todas. Mas no geral, é assim que acontece. E algumas que não “caem” nos braços de determinada moda, se voltam contra, tendo até ódio de quem usa.
Na minha humilde opinião e gosto (o tal “olhei, adorei/odiei”), eu gosto. Acho a ideia genial no sentido de ser um tênis de salto. A ideia não é nova, porém. Eu, por exemplo, tenho um tênis de salto comum (nem muito fino, nem anabela) há anos, que usei muito, com muita gente torcendo o nariz. Também tenho sneakers de cano longo, estilo botinha de boxe, que também gosto muito. Mas adorei a ideia de esconder o salto (que algumas marcas fizeram precariamente). Acho, porém, um pouco estranho ver meninas que nunca colocaram um tênis no pé, usarem os tais. Aí vale repensar: ou você respeita seu estilo, ou a moda engole você. “Ah, é super confortável!”. Havaianas também são.
Enfim, não esquente a cabeça. Entenda o processo de moda, como ela entra no nosso dia-a-dia (afinal, ao escolher até uma camiseta branca e um par de jeans você está inserido na sistema de moda) e adapte ao seu mundo.
Gostou, não vai morrer de fome se comprar, se sente bem com ele? Use, oras! Sem dar explicação à ninguém, respeitando seu estilo e corpo, não se sacrificando pelo objeto de desejo.
Odiou? Está no seu direito, afinal, você deve estar se perguntando: que diabos essas criaturas tem na cabeça pra achar isso bonito?
Mas pense que você também usa outro tipo de objeto/forma/cor, que combina mais com você, caindo igualmente no “truque” da moda.
Moda é esse bichinho complicado mesmo, altamente subjetivo. Fútil? Inútil? Incoerente? Pode até ser. Mas ela existe, está inserida em você, no seu dia-a-dia e reflete nosso período histórico. Entender um pouquinho do que acontece e não ser escravizado por ela é um opção, digamos, bacana.
Ah, eu não tenho os famosos sneakers de salto. Ainda. Ou não. ;)