2.11.15

Índice batom: o que os cosméticos tem a ver com tempos de crise econômica?

batons da coleção MAC X Giambattista Valli


Já havia falado aqui no GM em 2010 que o batom e outros produtos de beleza são itens de consumo à prova de recessão. Ao longo da história do século XX, observou-se que as mulheres compravam mais batons em tempos de declínio econômico
Quando não se pode comprar uma roupa ou sapatos, um batom novo é uma maneira rápida e relativamente barata para se ter acesso a um pequeno luxo, é algo supérfluo que você pode comprar tanto nos tempos difíceis quanto nos bons.
Segundo Leonard Lauder, presidente emérito da empresa de cosméticos Estée Lauder, que cunhou o termo "índice batom" como sinônimo de aumento das vendas, "Estes pequenos luxos se tornam mais importantes durante os tempos mais difíceis. O maior aumento na venda de batons foi durante a década de 1930 durante a Grande Depressão." O termo surgiu em 2001, quando ele tentava entender o porquê das vendas de sua marca crescerem em plena queda econômica em virtude da queda das Torres Gêmeas. 
Apesar de os cosméticos resistirem bravamente à crises econômicas, o Brasil tem mostrado uma redução das vendas em 2015, provavelmente impulsionado também pela alta de impostos que já fizeram os preços subirem.
Rainha Elisabeth II na sua coroação em 1953, com o batom desenvolvido especialmente para a ocasião:
The Balmoral Lipstick

Em entrevista à coluna Mercado Aberto, do jornal Folha de S. Paulo, João Carlos Basilio, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), informou que setor fechou o primeiro semestre de 2015 com queda de 1% nas vendas, sem descontar a inflação do período. "Desde 1992, quando o setor conseguiu redução da carga tributária e começou a crescer, isso [retração] nunca havia ocorrido", afirmou Basilio à Folha de S. Paulo. 
A redução do poder de compra ocasionada pela instabilidade econômica do país, a crise hídrica que levou as pessoas a diminuir o tempo de banho (reduzindo também o consumo de produtos como sabonetes e shampoos) e o aumento na cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)  são apontados pelo presidente da Abihpec como os motivos nesta baixa nas vendas.
Para o segundo semestre a expectativa é de resultados melhores, uma vez que em tempos de crise os consumidores devem buscar presentes mais baratos para o Natal.
Apesar de o Brasil ser o terceiro maior consumidor de produtos de higiene e beleza do mundo, o presidente do Grupo O Boticário, Artur Grynbaum disse em recente entrevista ao O Estadão que, apesar das indústrias da área serem menos afetadas em tempos de crise, a marca já sentiu a diminuição das vendas em 2015, afirmando que se em 2014 a empresa cresceu 16%, neste ano talvez o crescimento não passe dos 10%. Além disto ele comentou que a crise só deve ir embora em 2017, o que significa que as pessoas precisarão sim ter mais jogo de cintura para conseguir equilibrar as finanças.



algumas das campanhas da MAC deste ano 


escapismo
substantivo masculino
1. tendência para fugir à realidade ou à rotina, especialmente a coisas vivenciadas como desagradáveis, desviando a mente para outras ocupações ou entretenimentos.



Em relação aos produtos de higiene e beleza, especialmente a maquiagem tem a ver com outro comportamento típico de épocas difíceis: o escapismo. Livros de colorir, sereias, unicórnios e ... batons super coloridos dominaram a cena nos últimos meses, afinal se a realidade é dura, fugir dela acaba sendo uma maneira de auto preservação.
O Escapismo é a busca pela fuga da realidade e da rotina, evitando o que as pessoas consideram desagradável. É uma macrotendência de consumo que podemos ver não só na moda, mas também na literatura, no cinema e nas artes em geral, como uma espécie de válvula de escape em momentos de grandes crises. Uma macrotendência tem como característica sua grande longevidade: é uma tendência que pode durar 10 anos ou mais, um grande tema que evolui de forma constante.
O Escapismo apareceu de forma bastante clara na moda após a Segunda Guerra Mundial (quem lembra do New Look da Dior?) e também depois do 11 de Setembro, num reflexo aos momentos de crise. E com o panorama atual da política e economia do Brasil e das grandes potências européias, esta macrotendência persiste, como uma forma de as pessoas fugirem um pouco da dura realidade que as cerca. Ele se relaciona a tudo aquilo que remete ao romântico, a um passado bucólico, ao sonho, ao exótico, aos ícones da infância e à fantasia.






Diva da MAC (69 reais) ou Vinho Intenso da Panvel Makeup (7,90)?

O fato é que o batom é um item de beleza de fácil consumo: com menos de 10 reais você consegue comprar um batom de marcas mais populares, mas também excelentes, como os da Panvel Makeup. É a satisfação acessível para quase todas as mulheres. 
Além disto o batom de cores fortes, como está tanto na moda do ano passado para cá, melhora qualquer aparência de cansaço ou abatimento, também aumentando a autoestima que tende a ficar menor em tempos de dinheiro curto e insegurança financeira.
Então quando você for comprar mais um batom para sua coleção e seu namorado ou marido reclamar que você já tem 12 batons vermelhos, você pode argumentar que esta não é uma "mania" sua, é apenas um reflexo do panorama econômico atual no seu comportamento de compra.
E atire a primeira necessáire quem não comprou esmalte ou batom este ano!;)

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