1.2.14

O tal "beijo gay" de Félix e Niko em Amor à Vida: quebrando paradigmas


Imagem: Globo

No fim de Amor à Vida Félix e Niko mostram, na minha opinião, que: o amor não tem sexo, não tem preconceitos, sabe tolerar. 
Para mim não foi um "beijo gay", foi um beijo de amor que pode acontecer com mulher e homem, mulher e mulher e homem e homem. Fiquei muito emocionada com a delicadeza e ternura da cena: ficou ali claro que eram pais de família que se amavam!
Você sabia que a atriz Vida Alves foi protagonista do primeiro beijo da TV brasileira, junto com  Walter Forster, na novela “Sua Vida Me Pertence”, de 1951, na extinta TV Tupi? Escandalizou meio mundo, como se as pessoas em casa não se beijassem...
E que ela escandalizou de novo a sociedade ao dar o primeiro beijo entre mulheres a aparecer na TV (com a atriz Geórgia Gomide) no tele teatro “Calúnia” em 1963 da TV Tupi.
Mas dois homens se beijando: eis o grande tabu da sociedade machista na qual vivemos. Pergunte aos seus amigos homens o que eles acham de duas mulheres se beijando... 
Aposto que se não forem muito religiosos, ortodoxos ou conservadores vão responder: "é bonito, é legal, quero ver"...
Agora troca a cena por dois homens dando um beijo "normal", que você daria no seu namorado na fila do cinema. O beijo vira "nojento", agressivo", "anormal" pra muita gente.
E agora, pouco mais de 50 anos depois, só meio século após aparecer pela primeira vez na TV brasielira duas mulheres se beijando, o primeiro beijo entre dois homens a passar numa novela traz comemoração (eu literalmente aplaudi!!!) de quem quer mais liberdade, o que para mim é absolutamente normal porque:
ser gay não é "uma escolha", ningém resolve um dia "vou ser gay" - a pessoa muitas vezes reprime seus próprios sentimentos, como Félix fez, ao casar com Edith, na tentativa de agradar seu "papi soberano", que o desprezava
ser homossexual é uma orientação sexual, é como aquele ser humano se sente em relação à sua sexualidade: algumas pessoas são heterossexuais, outras não
ninguém "vira gay" por ter amigos ou presenciar atos de carinhos entre casais do mesmo sexo, estudos apontam que, ao contrário que muitos pensam, filhos de pais homossexuais são na maior parte das vezes heterossexuais
ser gay não é doença, "desvio de comportamento" ou crime: terminei meu curso de psicologia em 1994 (20 anos!) e desde que entrei na faculdade já era consenso entre profissionais da saúde
a própria Organização Mundial da Saúde  e a ONU consideram formalmente que ser homossexual ou bissexual  é tão normal quando ser heterossexual
  afinal,  em nosso país e em muitos outros a lei considera um casal do mesmo sexo como possíveis formadores de uma família, sem alguma diferenciação em relação às famílias com pais heterossexuais
Acho que a cena trouxe uma nova perspectiva de homens que se amam, quebrou paradigmas. Os relacionamentos dos homossexuais não são diferentes de quem é hétero: eles amam, se apaixonam e sim, tem vontade de formar uma família.
Se posso andar de mãos dadas com meu marido na rua sem ser importunada, por que o mesmo não é válido para dois homens ou duas mulheres que se gostam?
Não me acho melhor que meus amigos gays e penso que se um dia eu tiver um filho e ele for homossexual, pode viver num país menos preconceituoso e sim, terei orgulho dele se ele se tornar uma boa pessoa, independente do sexo de quem ele beija na boca.

2 comentários:

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