4.7.13

Os cães de Santiago do Chile e região

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Em toda cidade se via placas da prefeitura sobre as leis e cuidados com "sus mascotas"


Já começo o post pedindo desculpas pela quantidade de fotos. Mas é muito amor, minha gente!

Fui para Santiago, no Chile, semana passada e, mesmo se não fosse “cachorreira”, era impossível deixar de notar a quantidade de cães nas ruas e como eram bem tratados. Tirei vários fotos deles e quem me acompanha no instagram e facebook já deve ter visto algumas. E vi dois lados da moeda:

O lado bom é como são tratados: os cães pertencem à cidade, fazem parte. São alimentados nas ruas, abrigados, agasalhados, amados. Os chilenos, que diga-se de passagem são queridíssimos e hospitaleiros, gostam deles ou, no máximo, ignoram. Não vi UMA pessoa sequer enxotando um cão ou com “nojinho”, como é muito comum aqui no nosso país. Vários potinhos, caminhas, casinhas espalhadas pela cidade. Gente ajudando os cães a atravessar a rua. Gente colocando roupinhas neles. Passando a mão, fazendo carinho, dando amor. Eles não tem medo de gente. É muito amor! Senti como se eu “tivesse” uns 100 cães.

O lado ruim, na minha visão, é quantidade de cães. Querendo ou não, cães são formadores de matilhas, de 5 a 10 animais. Eles vão se brigar por comida, por abrigo, por fêmeas em um ambiente urbano, não natural. Não vi nenhum animal castrado e isso é horrível. Notei que não haviam filhotes e eram poucas as fêmeas nas ruas. Os sobreviventes eram cães adultos pra velhos, machos, peludos e grandes, a maioria alguma variação de lobo ou pastor. Existe uma seleção natural, que pode ser cruel. Vi um cão pequeno, de pêlo baixo, morto, enroladinho no próprio corpo... provavelmente morreu de frio. Penso que, se domesticamos este animal, temos responsabilidades quanto à eles e deveríamos evitar esse sofrimento e a castração é a solução, visto que a maioria dos filhotes devem nascer para morrer de frio e fome, principalmente no inverno rigoroso. Fora outras questões que, mesmo sendo bem cuidados, um cão na rua nunca está salvo de atropelamentos, doenças etc.

Mas, mesmo assim, esta cidade (e as outras aos arredores) me encantou - também - por essa particularidade, que nunca tinha ouvido falar. Outro dia falo dos locais que valem a pena visitar, para “pessoas normais” rs.

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Meu primeiro amigo, um pastorzão

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Na frente da universidade

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Meu segundo amigo, um pitt todo dado, me deu um lambeijo e depois seguiu durante o passeio pelo parque

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Esperando pra atravessar na faixa

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Sim, este gatão aí é um cão de rua, cuidado pela comunidade

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Cama de folhinhas. Esse também seguiu a gente até o Mercado Público

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Nessa frutaria tinha uma cadeira pro dono e pro seu amigo. Esse outro parecia um tapete!

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Já nas montanhas, um pastorzão dormindo enroladinho. Pedi comida no restaurante e dei pra ele.

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Essa rott queridona me ajudou muito. Eu não estava me sentindo bem e estava sozinha, depois de esquiar, devido ao esforço. Ela me acalmou de uma maneira que só eles conseguem. Perguntei pro funcionário se ela podia entrar onde tinha calefação pra eu ficar com ela e ele disse: “Claro!”. Quando isso acontece no Brasil? Obrigada, minha querida!

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Escoteirinhos sendo escoltados pelos amigos de rua

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Desconfiado com a câmera, mas me deu um beijão eheh

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E uma coisa que eu fiquei encantada: um condomínio de casinhas de cães de rua.
Tudo muito lindo, limpinho, com colchão, paninho, comida e água, num parque público!

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Eu vejo que os cães não são das pessoas, mas elas buscam algum conforto pra eles: 
um paninho, uma caixa, uma comida...

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As pessoas aceitam eles. Fazem parte. Elas desviam deles nas calçadas. 
Parece bobagem, mas pra mim, é tudo de bom!

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Fomos em Valparaíso, uma cidade bem pobre, com favelas e mendigos. Vi muitos cães doentes, mas nada de agressão e vi que as pessoas faziam o que podiam por eles: davam água, comida...

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Na cidade de Viña del Mar, que é tipo “um Jurerê Internacional” do Chile, também estava lotada de cães. Cães idosos, peludos e gorduchos! Passamos na frente dum restaurante onde o garçom tava jogando restos de ossos pra eles NA FRENTE do restaurante, além de potes de água. Achei inédito!

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E na minha última noite lá, me deparei com esses três fofuchos: dois de roupinhas novas e um pitt, que dei o resto da minha comida, dormindo na porta de um hotel de luxo: tanto os hóspedes, quanto o porteiro passaram a mão nele e “pularam” pra entrar, sem incomodá-lo. Só eu acho tudo de bom um coisa tão simples?



Achei tudo incrível, mas eu queria mesmo, achar tudo isso normal. Não, não quero, não posso pedir pra todos amarem os animais (vi poucos gatos lá). Mas sim, posso exigir o respeito com eles. E lá isso existe culturalmente. Amei demais!



“Ninguém cometeu maior erro, do que aquele que não fez nada, 
só porque podia fazer muito pouco."
(Edmund Burke)

24 comentários:

  1. Eu tb estive no Chile recentemente e é impossível não reparar isso! No Atacama eles até brincam que o nome da cidade é San "Perro" do Atacama. rsrs. E é impressionante como os cachorrinhos são carinhosos, né?

    Beijinhos

    www.burguesinhas.com.br

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    1. Carla, sim!! é impressionante ninguém nunca tenha me falado isso sobre o Chile hehe É lindo e triste ao mesmo tempo! Confuso! :*

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Que legal Mari! Esse respeito pelo animais pra mim é coisa de pessoas evoluídas espiritualmente. Acredito que ninguém é obrigado a ter/gostar de animais, mas respeita-los é indispensável! E, se optou por ter animais, aí é obrigado a cuidar bem!
    P.S. Sou louca por bichos! Tenho 11 gatos e uma cachorra (quase todos adotados)! Todos lindos e amados!

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    1. Oi xará!

      Pois é, até por lei é assim, né?
      Pelas placas por lá, acho que a lei contra o abandono foi posta recentemente. Espero que ajude a controlar o número de cães!

      Bjos

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  5. Nossaa adorei as fotos amei amei, sou apaixonada por animais e cachorros entao. meu sonho é poder ter um lugar para levar todos comigo. Fiquei encantada com o post.
    beijo grande

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  6. Também estive no Chile mas achei meio chocante tantos cães soltos pelas ruas, não vi o lado bonito da coisa e sim que eles deve sofrer muito com frio, atropelamentos, doenças, brigas entre eles e outras tristezas. Dar carinho e comida não é tão difícil, difícil é cuidar destes seres maravilhosos quando eles mais precisam de nós que é quando ficam doentes. Imagino que eles devam morrer sozinhos, sem 1 mísero remédio para dor, porque é o que é de todos acaba não sendo de ninguém, como é o caso, no momento da doença eles devem ficar abandonados, sofrendo no cantinho. Triste, muito triste. Não vejo poesia, para mim a solidão deles é maior do que qualquer outra coisa, um mísero afago já faz que eles abanem o rabo e nos sigam todas as vezes que nos encontram, para mim isto é um sinal que eles gostariam de ter um cuidador responsável por eles, e uma casa para morar. Senti muita dó. Na minha opinião o governo deveria fazer a castração em massa e fazer campanhas que animais devem ter posse responsável e não devem nunca serem soltos nas ruas, deixados a própria sorte. Animais sentem frio, fome e medo, como nós, não são bibê-los e não sabem se virar sozinhos, embora pareça que sim.

    Gostei do post, mas tive outra impressão quando vi tantos cachorros soltos nas ruas do Chile e não tive como não comentar, achei triste e fiquei triste com a situação deles e o descaso como se isso fosse uma situação normal.

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    1. Oi lu, concordo com você. Se você leu meu post todo, viu como fiquei confusa com meus sentimentos em relação a tudo isso. Além dos meus, eu cuido de UM cão na minha rua, que é extremamente calma e dou todos cuidados veterinários e já fico aflita dia-a-dia pois sim, eles são como crianças: domesticados, precisam da gente pra tudo!

      Mas também não pude deixar de notar o carinho que o povo tem com os cães, COMPARADO com os brasileiros: nao há aquele nojinho de que o cão é sujo e pode passar doenças, de que pode espantar clientes, de que pode morder...

      Concordo com td que vc disse, queria nao ter visto isso. Mas, já que estao nas ruas, queria que os daqui fossem igualmente tratados com respeito. Na utopia do mundo ideal, todos teriam um lar sim... quem sabe um dia...

      Bjos

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    2. Pois é Lú...Tambem estive em Santiago e voltei muito triste com o que vi, sao cerca de 2 milhoes de caes de rua(isso mesmo 2 milhoes!) abandonados á propria sorte, sem ter quem lhes dê comida regularmente,ou tenham controle sobre as inumeras doenças nem mesmo cuidados quando envelhecem que sabemos é terrivel para os caes.Sabemos tambem que alimentos e carinho esporadicos amenizam um pouco mas nao resolvem a questao. Nao vejo como uma questao cultural e sim como uma questao de descaso e indiferença já que muitos mostram visivelmente feridas e doenças. O descaso e a "cultura" acabam favorecendo essa triste realidade e pra agravar ainda mais é bom lembrar que uma unica cadela e seus descendentes em 6 anos de vida fertil podem gerar até 65.000 descententes que assim como eles conviverao com a sarna, a parvirose ,raiva,e consideravel volume de excrementos depositados em vias publicas...Nada romantico , nada poetico, nada de bonito nisso...

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    3. Pois é Lú...Tambem estive em Santiago e voltei muito triste com o que vi, sao cerca de 2 milhoes de caes de rua(isso mesmo 2 milhoes!) abandonados á propria sorte, sem ter quem lhes dê comida regularmente,ou tenham controle sobre as inumeras doenças nem mesmo cuidados quando envelhecem que sabemos é terrivel para os caes.Sabemos tambem que alimentos e carinho esporadicos amenizam um pouco mas nao resolvem a questao. Nao vejo como uma questao cultural e sim como uma questao de descaso e indiferença já que muitos mostram visivelmente feridas e doenças. O descaso e a "cultura" acabam favorecendo essa triste realidade e pra agravar ainda mais é bom lembrar que uma unica cadela e seus descendentes em 6 anos de vida fertil podem gerar até 65.000 descententes que assim como eles conviverao com a sarna, a parvirose ,raiva,e consideravel volume de excrementos depositados em vias publicas...Nada romantico , nada poetico, nada de bonito nisso...

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  7. Eu amoo cachorros, queria muito poder criar um!
    Mais concordo com a Lu, eles devem ter frio, fome e até podem ser atropelados sei lá
    que triste mesmo.. mais o bom é que as pessoas são carinhosas com eles.
    Beijoos'
    http://naanyfernandes.blogspot.com.br/

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    1. Sim, foi isso que pensei, Nany. Consegui ver os dois lados, apesar da tristeza toda... Bjos

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  8. Mari,

    Ano passado estive no Chile e meus sentimentos tb ficaram confusos com essa situação. Ao mesmo tempo que é muito triste ver tantos cães na rua, é um pouquinho reconfortante saber que pelo menos as pessoas lá tem mais respeito e tentam ajudar mais os que estão na rua, comparando com o que vejo por aqui ( pelo menos em São Paulo).
    Conversei com um senhor chileno que disse que eles lá realmente gostam de cães e que o que acontece é que a maioria dos que estão na rua são de grande porte e que isso dificulta alguém levá-los para casa, inclusive disse que muitos são abandonados justamente por ficarem grandes e as pessoas não os quererem mais.
    Passei a manhã em um parque lá na companhia de uma cadelinha linda, doeu ter que deixá-la lá...
    Bjs

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  9. Adorei a matéria, eu amo cães e assim como você fiquei feliz e triste ao mesmo tempo, que bom ver que as pessoas tratam bem os cães lá, mas rua não é lugar pra um animal, pelo grande risco que eles correm de serem atropelados, morrer de frio, as doenças...
    Os governantes deveriam rever os conceitos sobre o controle populacional de animais, assim como endurecer a lei contra os maus tratos.
    Parabéns ao povo do Chile por esse lindo exemplo, quem dera que os brasileiros fizessem o mesmo e parassem de nojinho e egoísmo com estes seres que também sofrem, a pessoa pode não gostar do animal, mas deve respeitar.

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  10. Acabei de voltar de santiago, e achei o seu site exatamente procurando no google o motivo porque santiago tem tantos cachorros.
    Adorei suas fotos, senti o mesmo que vc citou em seus comentários, lá eles procuram tratar bem os cães, mas vi muitos tremendo nas ruas de frio que me deixaram bastante triste.
    Estou tentando até agora descobrir o motivo de ver muitos até de raça.
    Será que as pessoas abandonam por mudar de pais ou cidade ou porque não existe controle como outros paises que recolhem os animais e matam.
    Talvez se a segunda opção for a que ocorre, demonstra que os chilenos preferem conviver com os animais do que simplesmente mata-los
    abraços

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    Respostas
    1. Oi Marcelo, tb procurei saber sobre, depois que voltei, mas não encontrei muito. Pelo visto, pelo site daqueles cartazes que tem na cidade pedindo respeito aos perros, é isso mesmo, não existe nem controle pro bem (castração), nem pro mal (matança). Meu irmão, que é biólogo, tem o olhar de que eles estão certos: eles deixam com que a espécie faça o que quiser, respeitando o espaço. E eu, como cachorreira e coração mole, acho que deveria ter um controle de castração, por exemplo, pra evitar o sofrimento e superpopulação. Enfim, cada um com seu cada qual, né?

      Mas a questão de "até de raça", nao me toca. Quem abandona, abandona de raça ou não. Depois de algum tempo convivendo com um cão, seja ele srd ou nao, ou a pessoa se apega ou não. Aqui mesmo tem muitos, mas muitos cães de raça nas ruas, abandonados, pois dão o mesmo (ou mais - doenças) trabalho que cães sem raça definida.

      Enfim, confuso! heheh

      Abç!

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    2. Mari, com certeza não importa se são de raça ou não, o que eu quis dizer é que se existem muitos de raça, eles provavelmente não se reproduziram nas ruas e sim foram abandonados.
      Parabens pelo blog!
      Abraços

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  11. e pra leve seu cachorro para o chile de porte pequeno vc sabe se pode entrar em algum lugar com eles na bolsa trasporte?

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  12. https://www.facebook.com/wibio.vegano/media_set?set=a.1745942625625134.100010944510074&type=3

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