7.6.13

Inveja: o sentimento mais causado nas pessoas pelas redes sociais


 
Imagem: Google

Fiquei muito tocada com o excelente post "Você Gosta da sua Vida Real?", escrita pelo Thiago Francisco e publicada aqui no GM.
Ele me fez pensar que por mais que ame fazer o que faço aqui no GM, por mais que seja grata por todas as oportunidades que surgiram e pessoas incríveis que conheci graças ao blog, esta vida de exposição também traz efeitos não tão positivos.
16022011 VICIADO NA INTERNET LUIS CARREGA 
Imagem: Google

Vou confessar uma coisa: muitas vezes, mas muitas mesmo, já pensei na hipótese de fechar o GM, dizer adeus ao mundo virtual e voltar a ser só a Shirley do "mundo real". 
Sem "likes", sem número de visualizações, sem look do dia, sem esta ultra exposição de quem cria um blog: uns mais, outros menos, todo blogueiro vira meio que "personagem de si mesmo" e se sente "na obrigação" de estar em todas as redes sociais e interagir - e isto significa "se mostrar", de preferência sempre com o cabelo arrumadíssimo, as unhas feitas e o sorriso estampado no rosto.
Ter um blog traz coisas maravilhosas como citei acima: uma das de maior valor para mim foram os grandes amigos que fiz através da Internet e que fazem parte da minha "vida real"...  amigos de verdade com os quais posso contar nos momentos de zero glamour.;)
Mas o mundo cibernético também tem suas ciladas: a tentação da vaidade (porque é óbvio que é bom ouvir elogios), o vício de estar conectado o tempo todo, os haters (aquelas pessoas que nem conhecem você mas são agressivas e até cruéis, geralmente anonimamente, nos comentários que deixam) e muitas vezes o tempo que se perde com coisas de fato inúteis, como sofrer porque um completo estranho não gosta de você (e daí?).

O que eu tenho, Doutor?
Ilustração: Google

Não vou ser hipócrita: adoro Internet e acho que não me adaptaria a morar em uma cidade do interior (nem numa metrópole) - gosto de viver aqui em Florianópolis, nem muito grande, nem muito pequena, uma capital sui generis "cercada de água por todos os lados", ainda provinciana e com muitos defeitos, mas muita beleza.
E um dos defeitos de Floripa é que por aqui muita gente vive mesmo de aparência, igualzinho ao que acontece na Internet e este fenômeno não é algo de agora. 
Sou "manezinha", nascida e criada com muito orgulho na Ilha, mas percebo que este é sim um dos grandes problemas da minha amada cidade: o de se ter um carro caro pago em 60 vezes mas viver de aluguel em um apartamento ruim com o encanamento que vive dando problema, usar roupas de grife do tipo uma camisetinha que custa 400 reais, mas economizar no supermercado e nunca comprar um livro porque é caro demais. 
Ostentar (até o que não se tem) é infelizmente comum por aqui... não sei como é aí na sua cidade. Como diz a frase atribuída ao professor Gretz: "Tem gente que compra o que não precisa, com o dinheiro que não tem, para mostrar pra quem não gosta."
Tem uma amiga minha que fala bem o que seria o avesso da situação: gastar um bom dinheiro em lençóis, daqueles macios e que deixam sua cama uma "nuvem"... é um luxo só seu, não aquele para "os outros", mas aquele para agradar a você mesma e a quem você ama.
  Getting into our heads: Facebook and other social networks are profoundly affecting the ways in which people in the UK see themselves and the world they live in, says a new government report
Imagem: Daily Maily/Alamy

Falo isto porque "viver para os outros", no pior sentido da expressão, para que o outro veja e, de preferência, roa os cotovelos de inveja, não é um fenômeno novo, mas tem alcançado níveis absurdos com a chegada das redes sociais.
Estes dias li a respeito de uma pesquisa que apontava que o sentimento mais causado pelas redes sociais nas pessoas é a inveja: inveja da vida perfeita que aparentemente todos parecem levar no Facebook, Instagram e afins...
Como disse acima muitas vezes me questiono sobre os prós e contras de ter um blog e se vale mesmo a pena toda esta exposição de "looks do dia", posts mais pessoais e interação freqüente nas redes sociais para manter o GM crescendo.
Como disse antes, é um dilema, há um lado saudável e delicioso: conhecer muita gente bacana e incrível, o que me enriquece como ser humano. Mas também não quero me tornar uma pessoa cujo discurso seja profundo como uma poça d'água, que aparentemente gosta só de roupas, sapatos, maquiagens... que vive só para TER coisas e não para tentar SER um alguém mais bacana, mais culto, mais gentil, mais aberto e mais feliz com as pequenas coisas das quais são feitas o cotidiano que chamamos vida.
Tomar café da tarde com meus pais e ouvir as histórias deles, "gastar" meu tempo com minhas sobrinhas e sobrinhos para saber das suas conquistas, ler um livro, passear com a Zoé, abraçar meu marido enquanto conversamos sobre o dia... De coisas assim que a vida é feita: um pouquinho dela pode estar no Instagram, mas coisas comuns a todos nós, como as lágrimas, as dores, as angústias, os medos, também fazem parte de todos nós, mas nem sempre estão nas redes sociais (pois daí você é taxado de #mimimi).
As redes sociais querem ver você sempre nos melhores momentos, naquele momento especial, como se fosse uma coleção dos melhores instantes, um filme feito só de passagens felizes, onde o protagonista é alguém sempre "incrível, fabuloso, lindo, glamouroso"... mas não necessariamente feliz.
Não quero a vida de outra pessoa, quero a minha, com seus altos e baixos, com minhas inseguranças e medos, com tudo aquilo que faz de mim o que sou: uma vida que não é perfeita como um comercial de margarina ou as redes sociais de muitos, mas uma vida cheia de felicidade genuína.
E você, garota moderna, está feliz com sua vida real ou o Facebook dos outros sempre parece mais interessante?

8 comentários:

  1. um dos melhores posts dos últimos tempos, amiga!!!! ando tão cansada dessa exposição de tudo e de todos nas redes sociais...às vezes dá vontade de apagar todas as contas e ficar alienada!
    bjs!

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  2. Belíssimo texto, Shirley! Eu mesma tbm já pensei em deletar a minha conta no facebook, justamente por isso. Mas como tenho amigos e parentes que moram longe, continuo com a conta para ter sempre contato com eles. Mas sempre me dou alguns dias longe de tudo! Uma amiga minha uma vez, postou o seguinte: É uma dádiva ser uma pessoa reservada. Optar por ouvir mais do que falar e aprender apenas observando. Não sentir essa necessidade boba que a maioria das pessoas tem em comum de informarem seus passos e até o momento que respira. Se estão indo no banheiro,ou na cozinha,na academia ou para o trabalho. A maioria de nós todos fazemos isso,não precisa sair anunciando como se isso fosse o ponto crucial na sua vida. Essa babaquice de quererem mostrarem que são descolados,baladeiros e viajantes. Nem metade das pessoas são o que tentam mostrar que são aqui,e as que realmente são,estão tão ocupadas no momento vivendo que não há tempo pra vir postar "Partiu".

    Por Laura Barker.

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  3. Oi Shirley!
    Muito bom esse teu post!
    Realmente tu escreves muito bem, com muita clareza e transparência ...
    Alias, desde a escola tu escreves bem.
    Estudei contigo na sexta e sétima e lembro que tivemos que escrever um livrinho e lembro que a professora te elogiou muito ....
    Lembro disso porque o meu livrinho tbem foi bom rsrsrs.
    Abraço , Debora Lisi

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  4. Então, se a gente se expoe demais é pq é exibido, se de menos, é pq nao está atualizado. Se reclama, é mimimi, se é feliz, é mentira. Ou seja, poste o que vc quiser e nao poste se vc quiser tb. A ferramenta ta aí (tanto pra usar, quanto pra nao usar e até bloquear). Acho chato quem julga quem se expoe e as maneiras que o faz, tb acho chato quem diz q tal pessoa é alienada pq nao tem facebook, por ex. EU não me contenho e liguei o f%%$*-se: to afim de postar, posto. Nao to afim, fico longe... EU tento manter minha seguranca nao expondo, por ex, a fachada da minha casa, não dando check in, coisas do genero, mas é uma opção minha. Já na minha marca é tudo calculado, a quantidade de posts, tanto pra nao ser demais, nem de menos; nao sumir pro cliente e nem encher o saco! Já o GM, é uma mistura dos dois, pessoal e profissional, pra vc. É complicado, mas é inevitável essa mistura...

    nao vejo problema nenhum em parar 5 minutos no meio de uma festa pra postar uma foto. assim como nao vejo problema em quem nao posta. nao gosto de ser julgada e evito, me esforço pra não julgar tb...

    otimo post!

    Beijocas

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  5. Oi Shirley, curti seu post :)

    Quero compartilhar algo que vem costumeiramente acontecendo comigo e acredito que com muitos, ontem mesmo encontrei um casal de amigos que não via há um tempinho e um deles sequer olhou na minha cara para conversar, pois estava no celular publicando uma imagem =/ há também aqueles que saem com vc estão na sua mesa, mas estão no mundo virtual e não ali com vc... E assim vai, eu adoro o mundo virtual, também compartilho imagens, tenho amigos que nunca sequer conheci pessoalmente... Porém sei separar os dois mundos. Conheço pessoas que preferem ficar em casa a sair com os amigos apenas para ficar na internet e isso é grave e vem sendo muito comum em pessoas jovens e até crianças é lamentável.

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  6. Oi Shirley, eu amie o post, sempre acompanho seu blog, mas hoje realmente resolvi lhe dar os parabéns.
    Tb sou de Floripa e acho que nossa cidade em termos de fachada não tem pra ninguém... da porta pra dentro a maioria destas pessoas é triste e vazia, mas saiu de casa são todos felizes, sem problemas e ricos com carros e roupas poderosos, mesmo morando de aluguel, como vc disse.
    Eu sempre digo, tenho facebook por ter, por causa da família e amigos que moram longe, mas procuro não me expor! E épossível ter redes sociais e não se expor, na minha opinião.
    Mais uma vez parabéns.

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  7. Adorei! :)
    Vamos ser felizes com o que temos e fazer as coisas para nós, e não para os outros.
    Beijos

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Olá,

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Mesmo que eu não consiga responder os comentários imediatamente, leio todos eles assim que chegam no meu e-mail e ADORO saber a opinião de vocês e respondo assim que possível.
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